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Boia Paulista (21/10)
Oi, Rodrigo. Tudo bem? :) Seu post foi selecionado para a #Viajosfera, d...
Natália Gastão (20/10)
Entrou pra lista rapidinho!!!!! Mudei para Cuiabá esse ano e sem dúvida...
mabel (19/10)
Que lindo!!!!!!!!!! E está tão perto de nós, mas pouco conhecem, inclu...
Rubens Werdesheim (19/10)
super !!! formações lindas em meio ao cerrado.sensacional !...
Rubens Werdesheim (18/10)
Cuiabá realmente é um super destino . Do lado do pantanal e do cerrado....
Monumento no encontro dos rios, em Teresina - PI
Depois da balada de ontem, difícil foi sair da cama. O horário limite do café da manhã do hotel foi um bom estímulo mas o ar condicionado do quarto também foi um estímulo para que voltássemos. Enfim, demorou para colocarmos o pé para fora do hotel...
Mas conseguimos! E fomos direto para uma das maiores atrações turísticas da cidade, o encontro dos rios Poty e Parnaíba. Suas águas tem cores diferentes e a mistura demora a acontecer. Não chega a ser aquele espetáculo lá de Manaus, encontro do Solimões com o Negro, mas não deixa de ter seu encanto.
Encontro dos rios Parnaíba e Poty, em Teresina - PI
Bem neste lugar está ancorado um barco transformado em restaurante. É conhecido como o "Restaurante Flutuante" e serve, claro, comida própria do rio. O bolinho de peixe estava uma delícia! Logo na primeira mordida a Ana exclamou: "Nossa! Esse é de peixe mesmo! Não aquela coisa que comemos por aí..." Ficamos ali, admirando o movimento, vendo as águas passarem e lendo um pouco sobre a história da cidade.
Almoço no Restaurante Flutuante, em Teresina - PI
Teresina foi a primeira cidade planejada do Brasil, fundada na metade do séc XIX. Nasceu para ser a nova capital, no lugar da histórica Oeiras. Seu nome é uma homenagem à esposa de D. Pedro II, Tereza Cristina. A cidade não tem um centro compacto, floresta de prédios. Ao contrário, é bem espalhada ao longo dos dois rios que agora víamos.
O Restaurante Flutuante, em Teresina - PI
Por estar longe do litoral e sem grandes belezas naturais, Teresina nunca teve grande vocação para o turismo recreacional. Ao contrário, especializou-se no "turismo de negócios". E também transformou-se num centro de excelência médico regional. Nosso hotel, por exemplo, era bem no meio de uma área cheia de hospitais, clínicas especializadas e muitas, muitas farmácias!
A vantagem disso é que temos um povo bem mais autêntico que nas outras capitais nordestinas. Não estão ali para nos agradar ou vender mercadorias ou passeios de bugue com emoção. Estão ali vivendo suas vidas, seu dia-a-dia normal. De alguma maneira, isso os torna mais verdadeiros. Trataram-me como um igual e não como um turista. Bem, isso foi no meu caso. Já a Ana, uma loira de 1,80... acho que chamava mais a atenção. Mas também não era tratada como turista. Era como se fosse uma extra-terrestre. Hehehehe
Artesanato em Teresina - PI
Do restaurante seguimos para a Floresta Petrificada, um conjunto de fósseis de árvores com quase 200 milhões de anos. Fica ao lado do rio Poty, bem perto do shopping Teresina. Ficamos meio decepcionados com a infraestrutura do lugar. Uma atração dessa tinha de ser mais valorizada! Com algum custo, achamos algumas das árvores e tiramos fotos. Mas, painéis informativos, não achamos nenhum. Será que não fomos no lugar certo?
A Floresta Petrificada, em Teresina - PI
Por fim, ninguém é de ferro e pegamos um cineminha no shopping. Um pouco da vida local não faz mal a ninguém! De lá para o hotel e para nossa deliciosa caminha com ar condicionado. Amanhã, temos longa viagem para Parnaíba, com passagens pelos campos do Jenipapo e pela cachoeira do Urubu. Em Teresina, só foi pena não termos conhecido o "Nós e Elis". Não foi culpa nossa, entretanto. Este é o nome de um bar que marcou época na cidade, nas décadas de 80 e 90. A Ana devorou um livro sobre ele e era como se nós o conhecêssemos.. Sabe aquele lugar que morremos de saudade sem nunca termos conhecido? Pois é... Vai continuar assim. No seu lugar e em sua homenagem, a gente se divertiu no Planeta Diário. Bem, é assim que funciona. Bares vem e vão. E nós também. Viemos, e amanhã, vamos.
Caminhando em parque de Teresina - PI
Cachoeira de Santo Isidro, no Parque Nacional da Serra da Bocaina - SP
Ontem de noite, quando chegamos à pacata São josé do Barreiro, tivemos que rodar bastante pela pequena cidade até achar alguma pousada que parecesse estar funcionando. Encontramos a simpática Pousada do Régis e fomos logo desmaiar, tentando nos recuperar da correria dos últimos dias e nos antecipar da correria dos dias vindouros.
Placa indicativa do Parque Nacional da Serra da Bocaina - SP
Hoje cedo, já saímos de mala e cuia para o Parque Nacional da Serra da Bocaina. De lá, seguiríamos diretamente para o litoral fluminense, via Bananal. Para se chegar ao parque, são 25 quilômetros de estrada de terra, em "pécimo" estado, como dizia o cartaz que vimos. Nem está tão ruim assim, comparado com outras estradas que vimos por aí. Para a Fiona, mamão com açúcar. Para variar, cruzamos vários valentes fuscas pela estrada. A estrada vai serpenteando morro acima, de maneira quase sempre suave. A vista é linda, lá do alto. Olhando para baixo, parece um mar de ar (estranho, né? Mas é o que parece...) e o vale do Paraíba lá embaixo, no fundo, com o rio serpenteando para lá e para cá. Já quase no parque, há várias pousadas, mais chiquetosas. Várias tem até um serviço de busca de hóspedes lá em São José do Barreiro.
A parte de cima da Cachoeira de Santo Isidro, no Parque Nacional da Serra da Bocaina - SP
No parque, muitas informações sobre a Trilha do Ouro, que desce a serra em direção à Mabucaba e Parati. Quase toda a descida ainda tem o calçamento de dois séculos, feito por mão de obra escrava. Como já escrevi em outro post semana passada, quando estive na parte de baixo do parque, eu já fiz essa trilha e recomendo. Não estava sabendo o quanto ela está popular nesses dias de hoje. Só no feriado foram mais de cem pessoas descendo a trilha, quase sempre em grandes grupos, mas também há os aventureiros solitários.
Nadando na Cachoeira de Santo Isidro, no Parque Nacional da Serra da Bocaina - SP
Eu e a Ana, por uma questão de logística e de tempo, só fomos até a Cachoeira Santo Isidro, bem próxima da portaria. Parece uma pintura, de tão bonita. E parece uma geladeira, de tão fria. Das cachoeiras do parque, é a mais atrativa de se nadar, pelo seu grande poço. Foi o que eu e a Ana fizemos, ignorando mais uma vez o frio da água.
Cachoeira de Santo Isidro, no Parque Nacional da Serra da Bocaina - SP
Depois, descemos a serra e o "mar de ar" novamente, parando para um rápido lanche em São José. Na sequência, seguimos de carro até Bananal e Getulândia, já no estado do Rio. Esta é a estrada dos tropeiros, a antiga ligação entre Rio e São Paulo, antes da construção da Dutra. A estrada passa por várias fazendas, algumas ainda com suas belas casas centenárias, reminiscências de uma época de ouro da região, quando a cultura do café floresceu por aqui fazendo fortunas. O cultura do café acabou por exaurir a terra e se mudou para novas áreas, como o interior paulista, no final do séc XIX e início do XX. Deixou para trás essas magníficas e decadentes fazendas. Muitas delas, nesses últimos tempos, se reencontraram no turismo e fazem a festa de quem quer um gosto de vida na fazenda com muito estilo e história.
Região da Serra da Bocaina próximo à São José do Barreiro - SP
Nós viemos até Parati, no mesmo hotel em que estivemos antes. Amanhã, vamos para o Pouso da Cajaíba, sem esquecer do fiorde brasileiro, o Saco do Mamanguá! Beleza, vamos encontrar muitas. Acesso à internet, isso já não sei...
Fazendo um lanchinho em São José do Barreiro - SP
Chegando mais uma vez ao nosso velho conhecido, o aeroporto internacional de Juliana, em Sint Maarten
Último dia em Statia, última chance de mergulhar durante um bom tempo. Afinal, daqui voltamos para o Suriname, após uma passada rápida em Sint Maarten, e nos embrenhamos pelo interior da América do Sul. Vamos ficar bem longe do mar por um longo período. Vamos seguir até o Paraná pelo interior do Brasil, entrar pelo Paraguai, Bolívia, norte da Argentina e norte do Chile quando, enfim, chegaremos ao Pacífico. Aí, vamos subindo até o Equador onde, em Setembro, estamos tentando armar de mergulhar em Galápagos.
Quase todos os visitantes de Statia vem para mergulhar. Há naufrágios, muitas formações de corais, água transparente. Enfim, após tantos dias de antibiótico, tinha de ser hoje. Devidamente aparamentado até com um capuz, mergulhamos num naufrágio artificial, o Chian Tong. Bem tranquilo, mergulho raso, temperatura agradável, visibilidade de uns 20-25 metros. O único problema: esquecemos a máquina em casa, com as baterias carregando. Assim, vai ficar tudo só na memória...
E a imagem que ficará na minha memória foi quando todos os mergulhadores já tinham subido e eu, último lá embaixo, a uns 15 metros de distância do navio naufragado, podia vê-lo por inteiro, só, abandonado no leito do mar. O barco tem uns 50 metros de comprimento e está deitado na areia perfeitamente, como se tivesse sido colocado lá. Àquela distância, tudo azulado, enevoado, é o próprio barco-fantasma. Cenário de sonho. Literalmente.
Esperando o lanche em Oranjestad - Sint Eustatius
Depois do mergulho, fomos lanchar perto da nossa guest house. Banho, mochilas arrumadas, caminhada para o aeroporto enfrentando o vento que resolveu aparecer bem forte, aproveitando a "janela" entre duas chuvaradas. No vôo, no pequeno avião, sentamos bem atrás do piloto e co-piloto, que viajam com a porta aberta. Visual legal da cabine e seus instrumentos, do sol se pondo e do céu com forte luar e do pouso em Sint Maarten. Muito legal!
Chegando mais uma vez ao nosso velho conhecido, o aeroporto internacional de Juliana, em Sint Maarten
Dessa vez, na "Friendly Island", como a ilha é conhecida, fomos nos hospedar em Philipsburg, capital do lado holandês e maior cidade de toda a ilha. Lá de Juliana, mesmo com as mochilas, pegamos o busão e fomos para lá, torcendo para que houvesse quarto vago na única acomodação mais barata que aparecia em nosso guia, a Joshua Rose Guest House. E tinha! Beleza! Ainda descolamos uma salada no último restaurante com cozinha aberta e dormimos alimentados para enfrentar nosso último dia nas Leeward Islands, nessa nossa segunda investida no Caribe. Amanhã, chega de mundo de sonho; voltamos para nossa doce América do Sul!
Chegando mais uma vez ao nosso velho conhecido, o aeroporto internacional de Juliana, em Sint Maarten
Apresentação de danças e trajes típicos durante festa em praça de Mérida, a capital do Yucatán, no México
Quinze dias depois, eis que estamos de volta à nossa querida Mérida, a mais bela cidade do Yucatán. Eu tinha feito um exame médico por aqui e precisava voltar para pegar os resultados. Uma ótima desculpa para voltar a esta encantadora cidade colonial cheia de construções centenárias e uma rica vida cultural.
Apresentação de danças e trajes típicos durante festa em praça de Mérida, a capital do Yucatán, no México
Resolvemos ficar em outro hotel dessa vez, um pouco mais perto do Paseo Montejo e um pouco mais longe do centro histórico, mas, ao final, tudo a menos de 10 minutos de caminhada. O gerente do novo hotel logo se interessou por nós e pela nossa viagem e foi nos dando várias dicas valiosas. Entre elas, a notícia de uma festa típica, ontem de noite mesmo, numa praça próxima, justamete onde começa o Paseo Montejo.
Apresentação de danças e trajes típicos durante festa em praça de Mérida, a capital do Yucatán, no México
Assim, nossa programação nessa primeira noite foi, depois de um bom e merecido jantar, ir para a praça assistir a apresentação de danças e músicas típicas, todas com o devido figurino. Jovens de várias regiões da península se apresentando, para o deleite dos turistas e espectadores que lotavam a tal praça. Foi muito joia, as boas-vindas que a cidade nos deu no nosso retorno.
Caminhada pelo centro histórico de Mérida, a capital do Yucatán, no México
Mercado popular na principal praça de Mérida, a capital do Yucatán, no México
Hoje cedo, foi dia de caminharmos novamente pelas ruas centrais, dessa vez com céu azul. Da outra vez que estivemos aqui, o tempo era chuvoso e acinzentado, um clima meio pesado sobre a cidade. Com o sol, tudo muda, ruas cheias, pessoas risonhas, movimento nas praças e igrejas.
Vendedor de chapéus descansa em praça de Mérida, a capital do Yucatán, no México
Tirando o fato que meus dois cartões pararam de funcionar e a chateação de tentar resolver isso, todo o resto foi alegria: um passeio pelo mercado lotado na praça central, um almoço ao ar livre no Café do Teatro, visitas à igrejas e livrarias.
A imponente fachada do Museu da Cultura Maya, em Mérida, a capital do Yucatán, no México
De tarde, foi a vez de visitarmos o mais novo museu da cidade, o moderno Museu da Cultura Maya. Construído num terreno mais distante do centro, um prédio de arquiteura vistosa e exibições que, com a ajuda da tecnologia, tentam envolver os visitantes, aplicando um verdadeiro banho de cultura maya em quem ali entra.
Caminhando sobre o mapa do mundo maya, no Museu da Cultura Maya, em Mérida, a capital do Yucatán, no México
Mapa do mundo maya, do Yucatán à Honduras, passando por Guatemala e Belize, no Museu da Cultura Maya, em Mérida, a capital do Yucatán, no México
A proposta é mostrar que a cultura maya não acabou. Ao contrário, ainda são mais de dois milhões de nativos vivendo nos dias de hoje e mantendo a língua maya como a terceira mais falada no país, A ideia é tentar valorizar ao máximo essa cultura, não só para nós, visitantes de fora, mas principalmente para as novas gerações de mayas que devem crescer tendo orgulho do que são.
Peças mayas expostas no Museu da Cultura Maya, em Mérida, a capital do Yucatán, no México
É claro que o passado também é valorizado. Mergulhamos na história, na cultura, nos costumes, na religião, enfim, no mundo maya. Pequenos filmes tornam tudo ainda mais vivo e envolvente, a gente acaba se perdendo em meio a tanta informação, sempre com a impressão de não ter visto ou lido tudo o que devíamos. Mas, ao final, quase sem percebermos, a mensagem foi passada e o mundo maya, de alguma maneira, passou a fazer parte de nós. Achei muito eficiente!
Uma das muitas divindades mayas, em exposição no Museu da Cultura Maya, em Mérida, a capital do Yucatán, no México
Do lado de fora do prédio, uma das exposições que mais gostei: uma sequência de fotos comparativas, mostrando as ruínas mayas mais importantes da península em fotos atuais e outras, tiradas há mais de 70 anos. Hoje, quando visitamos locais como a famosa Chichen-Itza, tudo parece muito certinho, grama cortada e pedras encaixadas. Fica meio irreal, sem ter cara de ruína, como se o tempo não tivesse tido nenhum efeito nas construções. Sempre fui curioso sobre como eram essas ruínas antes do processo de restauração. Aí estava a resposta, em enormes fotos tiradas de um mesmo ângulo. Muito joia!
Foto atual do Templo do Adivinho, nas ruínas mayas de Uxmal, no Yucatán, sul do México
Foto do templo do Adivinho tirada na década de 30, bem antes da restauração (ruínas mayas de Uxmal, no Yucatán, sul do México)
Para nós, foi melhor ainda, porque amanhã nossa programação será visitar Uxmal, uma das mais belas ruínas mayas do Yucatán. Havia várias fotos de seus templos nessa exposição e nossa vontade de ver tudo ao vivo só aumentou. Deixaremos Mérida em definitivo, mas as boas lembranças daqui nos acompanharão. Adeus, mundo colonial, de volta ao mundo clássico dos mayas!
Apresentação de danças e trajes típicos durante festa em praça de Mérida, a capital do Yucatán, no México
Saindo do famoso Andrés Carne de Res, em Chia, próximo de Bogotá, na Colômbia
O programa de hoje era ir, no início da tarde, para um famoso (talvez, o MAIS famoso) restaurante da Colômbia, o "Andrés Carne de Res". Combinamos com o Angelo dele passar em casa lá pelas três da tarde. Segundo ele disse ontem, para conseguir entrar no restaurante, só chegando bem cedo.
Com a Clara e a Amelie em Bogotá, na Colômbia, antes de ir no Andrés Carne de Res
O Andrés Carne de Res original fica em Chia, uma pequena cidade a uns 30 min de Bogotá. Nasceu para atender os camioneiros que ali passavam, rumo ou vindos do norte da Colômbia. A sua carne e a sua comida foram ficando cada vez mais famosos, atraindo cada vez mais gente. Ao dono, Andrés, foi aproveitando a fama para investir no restaurante, atraindo cada vez mais gente das classes média e alta e, em seguida, turistas também. O restaurante acabou se tornando um verdadeiro complexo, com lojas, estacionamentos, pistas de dança e um ambiente e arquitetura que já fazem valer a viagem.
Com o Douglas e a Clara no Andrés Carne de Res, em Chia, próximo de Bogotá, na Colômbia
Além disso, claro, a comida continuou excelente. O resultado é casa cheia todos os 4 dias que abre na semana. Mas na quinta, hoje, é seu dia mais tranquilo. Chegar no meio da tarde é meio "exagerado". Só que o Angelo teve uns problemas na empresa e não pode vir assim tão cedo. O resultado foi que eu pude trabalhar bastante até o meio da tarde, enquanto a Ana se divertia com a Amelie. E aí, já de noite, convidamos o casal que nos trata como se fôssemos irmãos, o Douglas e a Clara, para irem conosco ao Andrés. Eles aceitaram, deixamos a Amelie na casa da mãe da Clara e fomos para Chia, onde chegamos no famoso restaurante perto da 10 da noite.
Até bruxa tinha no Andrés Carne de Res, em Chia, próximo de Bogotá, na Colômbia
Foi um programa muito gostoso, literalmente. Comida maravilhosa e muita dança, de salsa à rumba, passando por rock, lambada e samba na pista de dança. A decoração extremamente minuciosa e vintage do restaurante é realmente, como nos haviam dito, umas das grandes atrações. Só faltou ver aquele lugar bombando, como costuma ser nos finais de semana. Aí, seriam umas 500 pessoas, e não as 100 que lá haviam hoje. Em compensação, seria mais difícil ir embora num horário civilizado, como nós fomos. Afinal, amanhã temos vôo para Aruba. O táxi vai passar em casa às 11 da manhã e ainda temos de arrumar tudo para a viagem. Assim, chegar em casa por volta da três foi uma boa pedida. Mas, fica o conselho: quem passar por Bogotá num final de semana, quiser comer bem, ver gente bonita e alegre e tiver um pouco de dinheiro para gastar, vá ao Andrés Carne de Res!
Decoração vintage do Andrés Carne de Res, em Chia, próximo de Bogotá, na Colômbia
Meditação na Peña de Bernal, no México
Nosso plano original, antes de voltarmos ao México, era de seguirmos por grandes cidades até a cidade de Puebla, já bem perto da Cidade do México. Daí, seguiríamos para o Yucatan, via Vera Cruz. Fizemos um roteiro passando por aquelas de relevância histórica, como San Luiz Potosi e Queretaro, além da própria Puebla.
Nosso caminho dos últimos dias, entre o Potrero Chico e a Peña de Bernal, passando por Real de Catorce e San Miguel de Allende. O Google não mostras as estradas pequenas, mas enfim...
Até começamos pela cidade planejada, Monterrey, a terceira maior do país. Foi quando os planos começaram a mudar. Conversando com o Gera, brasileiro que mora na Cidade do México e com outras pessoas que fomos conhecendo no caminho, as indicações eram de deixar as cidades grandes de lado e seguirmos para as pequenas e charmosas cidades espalhadas pelo país.. Não que as grandes também não fossem interessantes, mas com o tempo limitado e tendo de escolher, não restava dúvida.
Bernal, no México
Visitando o Pueblo Mágico de Bernal, no México
Além disso, foi só aqui que passamos a ter tempo novamente para ler sobre o país. Viagem apertada como a nossa acaba sendo assim: em vez de planejar a semana seguinte, só conseguimos nos preparar para o próximo dia. E olhe lá! Tem vezes que me pego planejando o dia de ontem, hehehe!
Bernal, no estado de Queretaro, com a famosa pedra ao fundo, no México
Igreja do Pueblo Mágico de Bernal, no México
Enfim, depois de passarmos por cidades como Real de Catorce e San Miguel de Allende, aí qualquer dúvida que havia se dissipou. No nosso atual “mood”, são mesmo as pequenas que nos atraem! Foi assim que viemos para mais uma pequena cidade, ela também um Pueblo Mágico, a pequena Bernal. No caminho, ficaram as famosas San Luiz Potosi, que passamos rapidamente pelo centro, e Querétaro, que só vimos mesmo da estrada. A vontade de conhecê-las continua, mas não será dessa vez...
O imenso monolito conhecido como Peña de Bernal, no México
A fama de Bernal vem do enorme monólito ao lado da cidade, conhecido como Peña de Bernal. Anunciado como o “terceiro maior monólito do planeta”, atrás apenas de Gibraltar e do Pão de Açúcar, essa enorme rocha com mais de 300 metros de altura já chama a atenção de longe. Essa história de “terceira maior” não é muito científica, já que o próprio conceito de monólito é meio difuso. A Pedra da Gávea, por exemplo, também poderia ser chamada de monólito e é maior que o Pão de Açúcar. Mas, definições e classificações à parte, a Peña de Bernal é linda, atraindo alpinistas e místicos à região, que seria um grande “centro de energia”, seja lá o que isso significa na prática.
Peña de Bernal, no México
Chegamos no fim da tarde do dia 22 e deixamos a nossa visita à enorme pedra para o dia seguinte. Aproveitamos as últimas horas do dia para conhecer a pequena cidade. Muito simpática e pacata, mas mal acostumados que estávamos com Real de Catorce e San Miguel de Allende, ficamos um pouco decepcionados. Tudo depende mesmo das expectativas...
Caminhada na famosa Peña de Bernal, no México
Hoje cedo, partimos para a principal atração da pequena Bernal, a famosa Peña. É possível caminhar, ao início sobre uma trilha e depois, sobre a própria rocha, até pouco mais da metade da altura do enorme rochedo. Quanto mais alto, mas bela a vista dos arredores, a cidade ficando cada vez menor aos pés da montanhas. Ao longo desse caminho, várias paredes que fazem a alegria de escaladores, com diversas rotas possíveis.
Subindo o imenso monolito conhecido como Peña de Bernal, no México
Por fim, chegamos a um ponto onde, daí para frente, só com cordas mesmo. Ou então, com muita coragem para enfrentar os grampos de ferro cravados na parede de pedra. Eu até segui mais uns 40 metros para o alto, evitando olhar para baixo. À diferença de Potrero Chico, aqui não tinha nenhuma corda de segurança e um erro qualquer poderia ser, literalmente, fatal. A Ana, sem um calçado adequado, ficou lá embaixo mesmo.
Pausa na subida da Peña de Bernal, no México
Eu desci para ver se ela queira ajuda ou incentivo, mas ela já estava decidida a ficar por ali mesmo. Aproveitei a chance e fiquei lá também, curtindo a vista que já era espetacular. A pequena cruz que nos esperava no alto da montanha teve de ficar solitária mesmo. Pelo menos, no dia de hoje.
Do alto da Peña, avistando a cidade de Bernal, no México
Para nós, foi uma delícia de caminhada e nosso primeiro dia de treinamento de uma longa sequência planejada até o Pico Orizaba, a mais alta montanha do país. Finalmente, já estamos com tudo planejado, inclusive nossos encontros com o Gera e com a Val. Aliás, a Val chegou hoje à Cidade do México e vamos todos nos encontrar amanhã, no final do dia, em Toluca. Ela vai para lá de carona com o Gera e nós quatro juntos subiremos o belo Nevado de Toluca. Será nossa primeira montanha de grande altitude e 3ª etapa de nossa preparação. Terceira? Pois é, ainda não falei da segunda! Fica na cidade de Tepoztlan, ao sul da capital federal e para lá seguimos ainda hoje, para nossa caminhada de amanhã. Assunto para o próximo post!
Vegetação semidesértica ao redor da Peña de Bernal, no México
A noite cai e as luzes se acendem em Buenos Aires, capital da Argentina
A primeira vez que eu estive em Buenos Aires foi em Fevereiro de 92. De lá para cá foram outras seis vezes, o que dá uma boa pista sobre se eu gosto ou não dessa cidade... A última vez foi em 2007, na primeira viagem internacional que eu e a Ana fizemos juntos. Aliás, a foto que ilustra o blog dela, no alto da página, é dessa viagem, de um simpático bar no bairro de San Telmo. Enfim, cá estamos mais uma vez, agora dentro do nosso projeto dos 1000dias. Esta cidade que tanto gostamos calhou de ser nossa última capital federal nessa jornada por todos os países das Américas. Capitais estaduais, ainda temos Porto Alegre e Florianópolis pela frente.
O nome do post simboliza muito bem o que sentimos pela capital argentina. Mas, muito mais do que isso, é uma homenagem a um dos mais populares tangos do insuperável Carlos Gardel, que apesar de uruguaio, era argentino do coração. O estilo da música, o tango, é a própria cara do país, uma leitura da alma do povo que aqui vive. A letra da música, bem, essa não preciso dizer a quem homenageia, certo? Enfim, era essa a música que tínhamos em mente enquanto fazíamos uma longa caminhada pela cidade hoje, revendo lugares que já conhecíamos e, como sempre acontece nessa charmosa metrópole, aprendendo e vendo coisas novas.
O Obelisco e o rosto de Evita, em Buenos Aires, capital da Argentina
Um dos mais movimentados cruzamentos do centro de Buenos Aires, capital da Argentina
A cidade de Buenos Aires foi fundada duas vezes, e no mesmo lugar. A primeira foi pelo espanhol Pedro de Mendoza, em 1536. Ele cruzou o oceano com vários colonizadores especialmente para isso, fundar uma cidade na desembocadura do Rio da Prata, descoberto alguns anos antes, para garantir o controle espanhol da região. Mas a hostilidade dos indígenas locais fizeram esses primeiros colonizadores mudar de ideia rapidinho. Eles partiram rio acima, seguindo o leito do rio da Prata, entrando pelo Paraná e rio Paraguay até chegarem ao local da atual Asunción, onde fundaram a cidade que seria a mais importante do sul do continente pelos próximos dois séculos. Enquanto isso, a pequena Buenos Aires sumiu do mapa pelos próximos 50 anos. Até que, numa ironia da história, habitantes de Asunción desceram o rio para “refundar” a antiga cidade de onde haviam partido, duas gerações antes, os fundadores da própria Asunción.
Chegando à Plaza Libertador San Martín, em Buenos Aires, capital da Argentina
Torre de Los Ingleses, em Buenos Aires, capital da Argentina
Apesar da localização estratégica, Buenos Aires sofreu com a política espanhola de centralizar todo o comércio com suas colônias sul-americanas em Lima, no Perú. Assim, todos os produtos importados ou para exportação tinham de fazer o duro caminho através da Bolívia e dos Andes até chegar à cidade peruana. A consequência disso foi que a atual capital argentina não se desenvolveu, tornando-se, na verdade, um centro de contrabando. A situação só mudou em 1776, quando a cidade tinha 20 mil habitantes e foi escolhida para ser a capital do Vice-reinado do Prata, agora com licença para comercializar diretamente com a Espanha.
O teatro Cervantes, em Buenos Aires, capital da Argentina
Sinagoga em Buenos Aires, capital da Argentina
O próximo grande evento aconteceu 30 anos mais tarde, já no séc. XIX, no contexto a era napoleônica na Europa. França e Espanha eram aliadas contra a Inglaterra e as tropas de sua majestade resolveram ocupar a capital portenha em represália. Eles até conseguiram, por um curto período, mas foram surpreendidos por uma revolta popular contra a ocupação, Os habitantes da cidade, quando perceberam que só estavam “mudando de patrão”, botaram os ingleses para correr, uma vitória que ainda é celebrada nos dias de hoje. Não apenas essa, mas também quando resistiram a nova invasão no ano seguinte, em 1807.
A enorme e centenária figueira ao lado do Teatro Colón, em Buenos Aires, capital da Argentina
PLaza Libertador San Martín, em Buenos Aires, capital da Argentina
Conscientes da própria força, resolveram ir além! Em maio de 1810, quando o rei espanhol foi deposto por Napoleão, aproveitaram o ensejo e decretaram o corte de relações com a antiga metrópole. Seis anos mais tarde, no congresso de Tucumán, foi a vez de oficializarem a independência, que se concretizou depois de uma guerra sangrenta com as tropas realistas. Mas a Argentina não era um país, e sim uma confederação de províncias. Buenos Aires, portanto, apesar de ser a cidade mais poderosa, só era a capital de sua própria província. Mas com muita influência nas outras províncias. Essa situação meio confusa se manteve pelos próximos 30 anos, enquanto a corrente dos federalistas e unitaristas disputava o governo e o país. Nesse período conturbado, por duas vezes a cidade sofreu o bloqueio naval por parte de potências estrangeiras (França e Inglaterra), aliadas de províncias rebeldes. Mas, para orgulho local, os portenhos não se curvaram e nenhum soldado estrangeiro jamais colocou os pés de volta na cidade, desde a expulsão dos ingleses em 1807.
O famoso Teatro Colón, em Buenos Aires, capital da Argentina
Cores de fim de tarde nos céus de Buenos Aires, capital da Argentina
A unidade do país finalmente veio na segunda metade do século, com os presidentes Urquiza e Mitre, e com ela uma maior estabilidade política e econômica. Já como capital de todo o país, Buenos Aires começou a se desenvolver rapidamente, tanto com as exportações de carne e grãos pelo seu porto, como com a chegada de dezenas de milhares de imigrantes, provenientes principalmente da Itália e da Espanha. Esses novos moradores se instalaram principalmente no sul da cidade, nos bairros de San Telmo e La Boca, enquanto a elite e alta sociedade se mudava mais para o norte, bairros do Retiro e Recoleta. Com o passar do tempo, a crescente classe média também teria os seus bairros, como Palermo e Belgrano.
Teatro Colón, em Buenos Aires, capital da Argentina
O Obelisco da Av. 9 de Julio, em Buenos Aires, capital da Argentina
Enfim, na entrada do séc. XX, Buenos Aires vivia um boom. Foi a primeira cidade latino-americana a superar um milhão de habitantes, parques se espalharam pela cidade, assim como grandes mansões e enormes prédios públicos e teatros. A magnífica arquitetura clássica de influência francesa que vemos hoje vem toda dessa época de glória, como aqueles que foram, durante muito tempo, o mais alto prédio da América Latina, o Kavanagh, e o maior teatro de todo o hemisfério sul, o Colón. Hoje, quando caminhamos pela Av. Córdoba ou Santa Fé e olhamos para os belos prédios que nos cercam, estamos vendo 100 anos atrás.
PLaza Libertador San Martín, em Buenos Aires, capital da Argentina
PLaza Libertador San Martín, em Buenos Aires, capital da Argentina
A cidade continuou a crescer durante o séc. XX, agora atraindo cada vez mais imigrantes internos, do vasto interior. Linhas de metrô foram sendo escavadas desde o início do século para dar vasão ao movimento que só aumentava. Na década de 30, todo o espaço entra duas ruas paralelas foi derrubado para dar lugar a avenida mais larga do mundo a 9 de Julio, que chega a ter 16 pistas com seu característico e enorme Obelisco ao fundo. Hoje são quase 4 milhões de habitantes, mas se considerarmos todas as cidades que foram engolidas pela grande metrópole, esse número chega a assustadores 15 milhões. Mas para os turistas e visitantes, quase tudo o que interessa está num espaço pequeno e que se pode caminhar, pelo menos para aqueles com mais energia.
Foi o que fizemos hoje, eu e a Ana. Foram cerca de 10 km de caminhada pelas charmosas ruas, avenidas e parques da cidade. Saímos lá do nosso hotel em Palermo, caminhamos até a Av. Santa Fé e por ela viemos até o centro. Não sem antes pararmos na magnífica livraria El Ateneo. Desde que sou criança e minha mãe viajou para cá pela primeira vez, ainda nos tempos de Isabelita na década de 70, que ouço falar das livrarias da cidade. Quando vim pela primeira vez, fui forçado a concordar que elas são mesmo maravilhosas e essa, a Ateneo, talvez seja o melhor exemplo. Sempre que venho para cá, perco (ou, na verdade ganho!) um bom tempo por lá.
Chegando a uma das mais charmosas livrarias de Buenos Aires, capital da Argentina
Interior do "El Ateneo", a mais bela livraria de Buenos Aires, capital da Argentina
Bom, seguimos a caminhada até centro, mais especificamente até o parque San Martin, um enorme jardim no norte da região central, cercado por diversos prédios clássicos e monumentos. Um dos mais belos, já na direção do rio da Prata, é a Torre dos Ingleses, um dos marcos arquitetônicos da cidade. Aproveitamos para pausar um pouco, respirar o ar puro e recuperarmos o fôlego para o longo caminho de explorações que ainda tínhamos pela frente.
PLaza Libertador San Martín e Torre de Los Ingleses, em Buenos Aires, capital da Argentina
Momento de descanso na Plaza Libertador San Martin, em Buenos Aires, capital da Argentina
Percorremos então a Florida, o famoso calçadão comercial que corta o centro da cidade e que também começa no parque San Martín. É um dos melhores lugares para se ver gente, turistas e locais, além do sempre presentes “arbolitos”, como são apelidados os cambistas. Aí na Florida também está a galeria Pacífico, um shopping center centenário, com ares clássicos e tetos cobertos de belos afrescos. Por muito tempo esteve fechado e abandonado, mas foi recuperado por empresários e hoje faz a alegria de visitantes como nós.
Calle Florida, em Buenos Aires, capital da Argentina
Os belos afrescos no teto da Galeria Pacífico, na Calle Florida, em Buenos Aires, capital da Argentina
Seguimos então pela Av. Córdoba, onde cruzamos a 9 de Julio mais uma vez (sempre uma longa travessia!) e chegamos aos imponentes teatros Cervantes e Colón, além da maior sinagoga da cidade. Nessa região é onde está a maior concentração de prédios monumentais, lembranças de tempos áureos da cidade. Os dois teatros podem ser visitados em tours, mas bom mesmo é assistir um espetáculo no sempre concorrido Colón, quando ele não está em reformas. As reservas devem ser feitas com semanas de antecedência!
O famoso Teatro Colón, em Buenos Aires, capital da Argentina
Teatro Colón, em Buenos Aires, capital da Argentina
Por fim, seguimos para a Plaza de Mayo, onde estão os prédios públicos mais famosos, como o antigo Cabildo (a prefeitura) e a famosa Casa Rosada, sede do governo federal. Quantas vezes não vi essa praça pela TV, manifestações de jubilo na época das Malvinas ou da abertura democrática de Alfonsín. Ou em cenas de cinema, com Perón e Evita acenando para dezenas de milhares de empolgadas pessoas. Na verdade, a frente da Casa Rosada está para o outro lado, mas é a sacada nas suas costas, virada para a praça, o lugar mais emblemático.
Cabildo de Buenos Aires, capital da Argentina
Plaza de Mayo, em Buenos Aires, capital da Argentina
Chegamos aí no fim do dia e acompanhamos as luzes de iluminação serem ligadas. Como não poderia deixar de ser, as luzes da Casa Rosada são rosas! E dessa cor ela fica, ainda mais forte, durante a noite, algo entre o kitsch e o tradicional, afinal, esta é a Casa Rosada.
A Casa Rosada, sede do governo federal, iluminada a carater, na Plaza de Mayo, em Buenos Aires, capital da Argentina
O relógio marca 8 da noite na cidade de Buenos Aires, capital da Argentina
E assim foi o nosso dia, caminhando por essas ruas que nos são cada vez mais familiares. Mas, como já disse, é sempre um prazer andar por aqui e, mais ainda, encontrar um bom café e não caminhar, apenas ver a vida passar, apressada, ao nosso lado. Acompanhado de uma boa media luna e empanada, não tem programa melhor.
ATravessando a avenida mais larga do mundo, a famosa 9 de Julio, em Buenos Aires, capital da Argentina
Pausa para café durante passeio a pé em Buenos Aires, capital da Argentina
Já de noite, voltamos de metrô para Palermo. Ainda temos de caminhar na Recoleta, em San Telmo e na Boca, mas temos tempo para isso. A noite, aí já estamos mesmo no lugar certo, Palermo. Aí estão dezenas de bares e restaurantes para todos os gostos. Conforme havia combinado com a Ana, a cada noite por aqui, um bom restaurante. O que não significa caro, mas charmoso. É o que não falta aqui em Palermo. Esta noite foi dia de tapas. E vinho, claro! Um brinde a Buenos Aires!
Nosso delicioso restaurante na segunda noite em Buenos Aires, na Argentina
Vestido a carater no forte de San Marcos, em St Augustine, na Flórida - EUA
Vivendo e aprendendo. Ou, no nosso caso, viajando e aprendendo! Há apenas poucos dias descobrimos que a cidade mais antiga do país não foi fundada por ingleses e nem está nas famosas 13 colônias originais. Não! A primeira cidade americana está aqui, na Flórida, e foi fundada por espanhóis!
Entrada de galeria e museu em St Augustine, na Flórida - EUA
Estou falando de St Augustine, cidade fundada em 1568 na costa leste da Flórida, como parte da disputa entre espanhóis e franceses pela supremacia da região. A data precede em mais de 40 anos a chegada dos colonizadores ingleses mais ao norte. Os colonizadores podem ter demorado esse tempo todo, mas os piratas não! O mais famoso deles, sir Francis Drake, já aterrorizava os habitantes espanhóis de St Agustine duas décadas depois da fundação da cidade, saqueando e queimando a cidade.
O portão antigo da cidade de St Augustine, a mais antiga do país, na Flórida - EUA
Mas, enfim, os espanhóis expulsaram os rivais franceses, sobreviveram aos piratas ingleses e fizeram de St Augustine sua principal base na Flórida, por mais de 200 anos. Com as colônias inglesas em pleno desenvolvimento logo ali do lado, também tiveram de resistir a várias campanhas de conquista, vindas da Carolina e da Georgia. E quem ajudou os espanhóis nisso foram escravos fugidos das colônias inglesas. Eles eram recebidos de braços abertos em St Augustine, desde que jurassem aliança ao rei espanhol, e eram os mais valentes soldados nas guerras contra seus antigos senhores ingleses.
O Forte de San Marcos, na cidade de St Augustine, na Flórida - EUA
Mas, ao fim da guerra de 1763, a verdadeira primeira guerra mundial, envolvendo ingleses, franceses e espanhóis em várias partes do mundo, os ibéricos estiveram entre os derrotados e acabaram cedendo a Flórida aos ingleses. St Agustine foi britânica por 20 anos, mas o mundo deu as suas voltas novamente. Com a derrota inglesa na Revolução Americana, os espanhóis foram recompensados em sua ajuda aos revolucionários com a posse da Flórida (e de St Augustine!) outra vez.
A mais antiga escola dos Estados Unidos, em St Augustine, na Flórida
A última mudança de “status” da cidade se deu em 1820, quando os espanhóis venderam o estado para os Estados Unidos. A cidade virou definitivamente americana, mas a influência espanhola ficou marcada para sempre na arquitetura do charmoso centro histórico e na rica culinária de St Augustine.
Lendo placa informativa da mais antiga casa do país, em St Augustine, na Flórida - EUA
Nós chegamos nessa interessante cidade ontem de noite. Ao invés de ficarmos num daqueles hotéis de rede, achamos um simpaticíssimo hostel no centro da cidade, o Pirate Haus. Nada como um tratamento mais “pessoal” de vez em quando! Um hotel com alma, e não uma fria franchising. Além de nos indicar um restaurante brasileiro para jantar, o dono logo nos convenceu a ficar mais um dia na cidade. Savannah teria de esperar um pouco mais...
Praça de St Augustine, na Flórida - EUA
O jantar no restaurante brasileiro foi ótimo. Legítima feijoada preparada por uma legítima brasileira. Quem nos serviu foi o genro da cozinheira, também brasileiro. Mas quem fez mais festa foi o dono do restaurante, marido da cozinheira, italiano de mão cheia, fã incondicional do Brasil.
O Forte de San Marcos, na cidade de St Augustine, na Flórida - EUA
O dia de hoje foi devotado à exploração da cidade mais antiga dos Estados Unidos. Aqui estão vários “primeiros”. Por exemplo, a primeira casa do país, a primeira escola, o primeiro forte e por aí vai. O centro da cidade é uma delícia de se passear, ruas simpáticas, piso de pedra, casas que nos lembram as cidades históricas do México, Cuba ou Colômbia. Realmente, muito mais gostoso andar por aqui do que numa cidade americana típica, geralmente feita para automóveis e não para pessoas.
Show de música em taverna de St Augustine, na Flórida - EUA
Outro dos “primeiros”, um dos que mais gostei de conhecer, foi a primeira taverna. Aí, já há vários séculos, pessoas vem atrás das saudáveis atividades de beber e jogar. Para manter a tradição, fizemos o mesmo: testamos deliciosas cervejas locais enquanto nos divertíamos com um jogo interessante e simples de dados (mas sem apostas!). Tudo ao som de ótima música ao vivo! Aliás, é impressionante como temos encontrado música de qualidade nesse país. É de se tirar o chapéu!
Jogando dados e saboreando uma cerveja em taverna histórica de St Augustine, na Flórida - EUA
Depois de muito caminhar e aprender (há excelentes placas informativas em todos os lugares, outro aspecto de se tirar o chapéu aos americanos!), voltamos para nosso hostal. Mas de noite já estávamos na rua novamente, dessa vez para encontrar o Márcio e a Taciana. Ele foi colega do meu irmão mais velho no início da década de 80, em Belo Horizonte. Só o conhecia de nome. Mas meu irmão tinha mantido contato com ele e sabia que tinha acabado de se mudar para cá. Bastou um e-mail e um telefonema e conseguimos nos encontrar. Foi joia, dois casais contando suas aventuras de vida. A história da mudança deles para cá é bem interessante! Normalmente, são os filhos jovens que seguem os pais na mudança de endereço. Mas eles fizeram o contrário: os filhos vieram estudar nos EUA e ele vieram acompanhar, para manter a família unida.
Observandoa orla em St Augustine, na Flórida - EUA
Bom, amanhã, finalmente, deixamos a Flórida para trás e vamos conhecer um novo estado, a Georgia. Como dormimos aqui mais um dia, só vamos parar para almoçar em Savannah. O destino final será Atlanta, sede das Olimpíadas em 96 e uma das cidades que mais crescem no país. Além da sede da Coca-cola e da CNN, dizem ter um dos melhores aquários do mundo.Vamos conferir!
Encontro com o Márcio e a Taciana em St Augustine, na Flórida - EUA
Celebrando um ano de viagem em alto estilo, com vinho frances, num dos restaurantes da marina Port La Royale, em Marigot - Saint Martin (caribe)
O vôo de Trinidad para Sint Maarten é rápido. Um pouco mais de uma hora. Vamos voando por cima de toda a cadeia de ilhas que forma o Caribe na sua parte leste. Da janela do avião, eu e a Ana ficamos tentando recopnhecer cada uma delas, comparando sua forma com os mapas que temos. É uma brincadeira parecida com o que fazemos quando voamos de Curitiba para o Rio de Janeiro, acompanhando a orla do Atlântico. Só que ao invés de reconhecer cada praia, aqui tentamos reconhecer cada ilha, cada pequeno país no meio do oceano. É claro que a brincadeira aí no Brasil é mais fácil, já que conhecemos a grande maioria das praias in loco! Aqui, nossa única chance é reconhecer a forma da ilha no mapa.
Passando sobre a vulcânica Montserrat, durante o vôo entre Trinidad e Sint Maarten, no Caribe
Chegando mais perto de Sint Maarten, a brincadeira fica ainda mais interessante, já que o número de ilhas é maior, e pretendemos visitar quase todas elas desta vez. Uma que vai ficar para a próxima vez, mas foi a que mais me chamou a atenção foi a pequena Montserrat. Esse pequeno paraíso quase desconhecido do mundo ganhou os holofotes em 95, quando uma grande erupção vulcânica atraiu cientistas do mundo inteiro ao mesmo tempo em que destruia metade da ilha e desalojava quase toda a sua população. A capital da ilha ficou sob metros de cinzas e lavas. Ainda hoje, mais de 15 anos depois da tragédia, lá de cima, é possível perceber o tamanho do estrago. Faz a gente lembrar do quanto ainda somos insignificantes perto das grandes forças da natureza...
Vista de St. Barth, durante o vôo entre Trinidad e Sint Maarten, no Caribe
Primeira visão de St. Maarten/St. Martin, no Caribe
Um pouco depois de Montserrat (lá do alto, tudo parece pertinho!), lá estava a pequena ilha dividida entre franceses e holandeses há mais de 300 anos. Saint Martin e Sint Maarten sempre conviveram pacificamente, um caso raro numa época em que as potências européias se digladiavam por cada pedacinho de chão no nosso continente, acabando com os povos indígenas e importando milhares de escravos no processo.
Finalmente, o mar do Caribe! (pousando em St. Maarten)
Hoje, depois de séculos de convivência, a ilha atrai gente de todo o mundo em busca de suas lindas praias, seus cassinos e, principalmente, seu estilo liberal com culturas e modos de vida distintos. São cerca de 30 mil habitantes de cada lado. No lado holandes, todo mundo fala inglês. No lado francês, fala-se francês e inglês. O dólar americano vale em toda a ilha, enquanto o euro é usado em St Martin. Não há fronteiras entre os dois países e apenas algumas bandeiras marcam onde acaba Sint Maarten e onde começa St. Martin.
Subindo ao Fort Louis, em Marigot - St. Martin (Caribe)
Explorando o Fort Louis, em Marigot - St. Martin (Caribe)
Nós pousamos no principal aeroporto da ilha, no lado holandês. De lá, pegamos um táxi para Marigot, capital do lado francês, onde nos instalamos na Fantastic Guest House. Já era o meio da tarde e fomos passear na cidade com ares europeus em pleno mar do Caribe. Subimos no alto do Fort Louis que defendia Marigot dos contínuos ataques dos sempre inimigos inglêses.
Admirando o pôr-do-sol em Marigot - St. Martin (Caribe)
Pôr-do-sol no alto do forte Louis, em Marigot - St. Martin (Caribe)
Enquanto o forte não existia, os pobres habitantes de Marigot sempre foram presas fáceis dos ingleses. Mas, depois do forte, deram uma sova nos invasores, na época de Napoleão. Lá estivemos já na hora do pôr-do-sol. Um verdadeiro espetáculo! Além da belíssima vista da cidade, suas baías, portos, marinas e praias, o tempo ainda favoreceu a um inesquecível pôr-do-sol, um presente para o nosso aniversário de primeiro ano de viagem.
Pôr-do-sol em Marigot - St. Martin (Caribe)
Admirando Marigot - St. Martin (Caribe) no finzinho da tarde
Por falar nisso, de noite teve celebração. Fomos à um restaurante jóia, um dos muitos na Marina Royale. Lá, nos esbaldamos com salada, um "assortment du fromage" (a Ana ADORA!) e um cordeiro maravilhoso. Tudo regado com vinho francês. No aniversário de um ano, a gente merecia esse luxo, né?
Celebrando um ano de viagem em alto estilo, com vinho frances, num dos restaurantes da marina Port La Royale, em Marigot - Saint Martin (caribe)
Na duna do pôr-do-sol, em Jericoacoara - CE
Hoje foi mais uma daquelas raras ocasiões da viagem em que eu e a Ana nos separamos. Infelizmente, algo que ela tomou ou comeu não lhe fez muito bem. Aparentemente, é a mesma coisa que pegou muita gente daqui. Ontem de noite, ela jásaiu meio no sacrifício. Tudo por um bom vinho e um brinde à sogra querida. Mas hoje, melhor ficar na pousada descansando.
Longa praia no caminho para o Mangue Seco, em Jericoacoara - CE
Assim, enquanto ela repousava, eu fui caminhando até Mangue Seco, uma pequena comunidade próxima à Jericoacoara. São uns 6 km pela praia, mais 1,5 km trilha adentro. Eu tinha feito este caminho na minha última vez por aqui, há sete anos.
AS dunas e os serrotes de Jericoacoara - CE
A praia estava magnífica. Maré baixa, dia ensolarado, brisa agradável. Vinte minutos de caminhada e as pessoas já ficaram para trás. Estou só naquela praia linda toda rodeada de enormes dunas de areias brancas. Mas a solidão é momentânea. De quando em quando passam bugues indo ou voltando de Tatajuba. Com uma hora de caminhada, com direito à pausas para fotos, cheguei à pequena e simpática barraca na praia que marca o ponto onde deve-se entrar para o interior, mangue adentro. Na barraca, ótima conversa, sombra e cerveja gelada. Quem pode pedir mais? É, na verdade eu posso. Fico o tempo todo imaginando que a Ana adoraria estar lá, participando da conversa com Seu Manuelzinho, dono da barraca e sábio pescador. Ele me conta coisas sobre o mar, as dunas e a antiga Jericoacoara. Comigo dando pilha com minha curiosidade infinita, a conversa vai longe.
A lagoa de Mangue Seco está quase seca! (em Jericoacoara - CE)
Mas eu deixo um pouco para a volta. Sigo a trilha, passo pela ponte que agora possibilita o acesso de carros e nos evita pisar na lama e chego na comunidade. A deliciosa lagoa, onde eu havia nadado quando estive aqui, está quase seca. Começa a encher agora, com as chuvas. Não me animo e deixo meu mergulho para o mar, que estava bem mais apetitoso.
Subindo a duna do pôr-do-sol no fim de tarde em Jericoacoara - CE
Subindo a duna do pôr-do-sol no fim de tarde em Jericoacoara - CE
Trilha de volta, mais cerveja e conversa das boas e agora a caminhada é em direção à Jeri, observando a duna do pôr-do-sol, suas irmãs e os serrotes logo atrás. Visual maravilhoso e inspirador. Dessa vez, ao invés de caminhar, corro. Assim, logo chego na pousada para encontrar minha amada recém-levantada, escrevendo. Recebe-me com um sorriso, Poucas horas já são o suficiente para nos causar saudades!
Na duna do pôr-do-sol, em Jericoacoara - CE
Na duna do pôr-do-sol, em Jericoacoara - CE
De tardezinha, seguimos para o topo da "duna". Há mais de uma nas redondezas, mas "a duna" é uma só. Para lá, todo santo dia, dezenas de pessoas seguem neste horário. Ali, além do pôr-do-sol, a gente vê o mar, pessoas do mundo inteiro, línguas diferentes e os rapazes locais se exibindo com suas técnicas de sand board. A tranquilidade paira no ar. Misturada com felicidade e simplicidade. Uma delícia!
Fim de tarde em Jericoacoara - CE
Manobra radical na duna do pôr-do-sol em Jericoacoara - CE
A Ana até se animou para um banho de mar. Ótimo sinal! Afinal, amanhã ela tem de estar inteira para nosso novo desafio: uma longa caminhada pela praia até a vizinha Tatajuba, onde vamos dormir. Pouco peso para enfrentar os mais de 20 km até lá. Internet e notícias, só quando voltarmos. Isso tuco, claro, se ela acordar bem...
Pôr-do-sol em Jericoacoara - CE
Pôr-do-sol na praia de Jericoacoara - CE
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