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geraldo (02/07)
Mundo pequeno Obrigado por estas belas fotos http://zip.net/brnV1k...
RONALD NUNES LOPES (02/07)
MUITO BOM VC DIVULGAR AS BELEZAS DA NOSSA CIDADE!! PARABÉNS!!!...
Cinthia (26/06)
Oi Ana. Parabéns pelo cume ! Estou pesquisando sobre o El misti pois pre...
Flora (26/06)
Acompanho voces desde que visitaram os amigos Oscar e Mauricio na passag...
Tatiana Wolff (26/06)
Como sempre, vcs salvando a pátria! Impressionante como falta informaç...
Tubarão touro se aproxima durante mergulho em Playa del Carmen, no litoral do Yucatán, no México
Já imaginaram mergulhar com um dos tubarões mais perigosos do mundo? Pois é, nem eu. Confesso que se eu soubesse de tudo isso que estou contando aí embaixo antes do mergulho, pensaria duas vezes antes de cair em um mar com uma dezena deles.
Atracadouro improvisado em Playa del Carmen, no litoral do Yucatán, no México
Os tubarões-touro receberam este nome devido ao seu porte avantajado, cara de bravos e uma tendência de golpear suas presas com a cabeça antes de atacá-las. Eles possuem longas nadadeiras peitorais, medem entre 2 e 3,5m, podem pesar até 230kg e viver até 16 anos. Basicamente é aquele tubarão clássico dos filmes hollywoodianos.
Peixe parece fugir assustado de tubarão touro, durante mergulho em Playa del Carmen, no litoral do Yucatán, no México
Eles são conhecidos por serem um dos mais perigosos tubarões nos mares quentes de todo o mundo. Mas o que os faz ter esta fama não é exatamente o seu comportamento, afinal animal algum é agressivo por puro prazer. Os tubarões são animais predadores e sua agressividade faz parte do seu instinto de sobrevivência. Esta afirmação, portanto, está baseada nos números de ataques de tubarões a seres humanos registrados nas áreas litorâneas.
O sempre presente lion fish, durante mergulho em Playa del Carmen, no litoral do Yucatán, no México
Mas será que somos mesmo parte do seu cardápio? Obviamente não, somos relativamente novos no seu aprendizado evolutivo, ele prefere mesmo são seus companheiros marinhos, peixes, golfinhos e, dependendo do tamanho da fome, até outros tubarões. Fato é que nós, humanos invadimos o seu habitat: águas rasas de mares tropicais, próximos a estuários e baías, ou seja, exatamente onde nós, banhistas, gostamos de estar. Os pobres touros ganharam então o troféu de periculosidade, pois são os tubarões que têm mais probabilidade de encontrar seres humanos no mesmo local onde eles se alimentam.
Ilusão de ótica: peixe de 20 cm e 200 gramas parece ter o mesmo tamanho de um tubarão de 2 metros e 200 quilos, durante mergulho em Playa del Carmen, no litoral do Yucatán, no México
Alguém aí perguntou como eles se sentem de ter um mundaréu de gente na sua casa, sem serem convidados? Vocês conseguem calcular a diminuição de alimentos disponíveis nas áreas costeiras que compartilhamos com estes tubarões? Bem, especialistas certamente devem ter trabalhado nisso, mas não é difícil imaginar, já que a maior parte da população mundial vive próxima às áreas costeiras e pode até estar deixando de comer carne vermelha, mas é bem chegada em um peixinho. Os touros não são uma espécie em extinção, embora pescados em grande escala por sua carne, óleo e pele.
Dupla de tubarões touro nada próxima de nós durante mergulho em Playa del Carmen, no litoral do Yucatán, no México
Uma curiosidade sobre estes incríveis animais é que mesmo sendo originalmente de água salgada, eles possuem uma ótima adaptabilidade aos ambientes de água doce, já tendo sido encontrados em rios como o Amazonas, Ganges e inclusive em grandes lagos, como por exemplo, o Lago Nicarágua. Inclusive este é mais um dos motivos que o faz novamente estar mais próximo aos seres humanos, compartilhando rios com pouca (ou nenhuma) visibilidade, onde tudo o que se move pode parecer bem apetitoso.
Cardume de peixes durante mergulho em Playa del Carmen, no litoral do Yucatán, no México
Quando chegamos a Tulum, antes mesmo de começarmos a nossa rotina de mergulhos em caverna, fomos convidados pela Marina, sócia da Scuba Tulum, para fazer um mergulho com os tubarões touro. Ela estava montando um grupo para conferir os visitantes desta temporada nas águas de Playa del Carmen.
A Ana se veste para mergulho em praia de Playa del Carmen, no litoral do Yucatán, no México
Há anos biólogos e mergulhadores acompanham a passagem dos touros aqui pela região e recentemente iniciou-se um trabalho de marcação e colocação de tags em cada um deles, pessoal corajoso! Nesta temporada chegaram a ser avistado mais de 20 indivíduos em uma área de areia a uns 15m de profundidade. Assim que eles começaram a ser “tagueados” eles se assustaram e “fugiram” e levou pelo menos uns 10 dias para que voltassem a saber do seu paradeiro. Assim que tivemos a notícia que os haviam localizado e as condições de vento permitiram, lá fomos nós, com nossos tanques, máscaras e nadadeiras a postos para conferir.
Antes de chegar ao naufrágio no fundo, a Marina já aponta tubarões-touro, em mergulho em Playa del Carmen, no litoral do Yucatán, no México
O novo endereço dos tubarões touro é o Naufrágio Mama Mia, a 28m de profundidade, perfeito para um mergulho nitrox. Chegando ao ponto de mergulho cruzamos com outro barco de mergulhadores, que haviam visto 5 tubarões mais próximos da costa, na areia, a uns 12m de profundidade. Caímos na água exatamente sobre o naufrágio e sem tempo nem de piscar, já vimos que eles estavam ali! Eram pelo menos 10 deles, lindos, fortes e imponentes! Eles nadavam ao lado do naufrágio entre xaréus, barracudas, grandes garoupas e vários outros peixes menores.
A Ana e a Marina veem vários tubarões touro durante mergulho em Playa del Carmen, no litoral do Yucatán, no México
Mergulho em Playa del Carmen, no litoral do Yucatán, no México
Nos posicionamos na areia próximos ao naufrágio e os observamos por uns 10 minutos, indo e vindo, sem parecer se importar muito com os outros peixes apetitosos que estavam ao seu lado. Este pensamento me ajudou a ficar mais tranquila, principalmente quando um deles veio reto na minha direção. Eu, como nunca, senti que não tinha controle sobre o tamanho dos meus olhos arregalados e atentos, imaginando o que faria se eles resolvessem chegar mais perto.
Mergulho em naufrágio próximo à Playa del Carmen, no litoral do Yucatán, no México
Logo eles se afastaram e nós aproveitamos a deixa para explorar um pouco do naufrágio, repleto de cardumes, corais e entradas bacanas. Deitada ao lado do barco encontramos uma tartaruga cabeçuda que aparentemente estava doente, com a respiração super fraca, morrendo. Deu uma vontade de pegá-la e levá-la para a superfície, mas preferimos acreditar que a natureza é sábia e a deixamos ir em paz.
Mergulho em naufrágio próximo à Playa del Carmen, no litoral do Yucatán, no México
Voltamos a procurar os touros no mesmo local onde os havíamos visto e no lugar deles encontramos duas rêmoras, curiosas e destemidas que nos acompanharam durante o restante do mergulho. Elas possuem ventosas na parte chata superior do seu corpo e normalmente se prendem a grandes peixes, tubarões, baleias e por que não? mergulhadores!
Rêmora nada próxima da Ana em mergulho em Playa del Carmen, no litoral do Yucatán, no México
Rêmora nada próxima da Ana em mergulho em Playa del Carmen, no litoral do Yucatán, no México
A que se prendeu em mim não se apertava não, mesmo quando eu tentava espantá-la ela voltava e me encarava, curiosa com o seu reflexo na nossa máscara ou na lente da câmera de vídeo.
Uma insistente rêmora nada próxima de nós durante mergulho em Playa del Carmen, no litoral do Yucatán, no México
A região é famosa por suas fortes correntes, tivemos sorte que estava tranquila e derivamos com ela por um tempo sobre o fundo de areia, passando por duas lindas arraias (sting-ray). Chegando aos 15m de profundidade voltamos a encontrar os touros! Mas agora sem a sensação de proteção que o naufrágio nos proporcionava. Emocionante!
Uma arraia durante mergulho em Playa del Carmen, no litoral do Yucatán, no México
Arraia e tubarão touro durante mergulho em Playa del Carmen, no litoral do Yucatán, no México
Tivemos muita sorte de encontrar este grande cardume de touros, os outros barcos reportaram 5, 3 ou nenhum! Estávamos lá no dia, na hora e no momento certos!
O segundo mergulho foi em um ponto raso, a 12m de profundidade, nos arrecifes conhecidos como Los Sábalos. Os recifes formam várias caverninhas, esconderijo perfeito para grandes caranguejos, lagostas, camarões e até uma moreia gigante! Esta era tão grande que acreditamos estar meio velhinha e cegueta. Fechamos o mergulho com a visita de um imenso cardume de sábalos, os nossos tarpões, que passaram ágeis e nadando coordenados ao nosso lado, sensacional!
Enorme carangueijo em mergulho próximo à Playa del Carmen, no litoral do Yucatán, no México
Cardume de peixes durante mergulho em Playa del Carmen, no litoral do Yucatán, no México
Valeu a pena esperarmos por este mergulho e acreditarmos na sabedoria da mãe natureza, que não criou tubarões para comerem seres humanos e vice e versa. Perigosos somos nós que ainda não aprendemos isso.
A visão do pier acima d'água visto de 20 metros de profundidade, no South Pier, no sul de Bonaire
Bonaire, o paraíso do mergulho, possui 86 pontos de mergulho, 53 destes partindo da costa. O principal diferencial é a facilidade e a liberdade que nós mergulhadores temos. Como a maioria dos mergulhos é feito a partir da costa (shore dive), o que precisamos é apenas alugar um carro, equipamentos e água! Nenhum mergulho precisa ser guiado e como mergulhadores credenciados, basta pegar o mapa da ilha, fazer o seu roteiro e cair na água!
Placa sinalizadora de ponto de mergulho em South Pier, no sul de Bonaire
Cada ponto de mergulho tem seu nome marcado com uma pedra amarela na estrada. Todas as locadoras de automóvel já possuem carros especiais para mergulho, como SUVs e pick ups e as operadoras de mergulho já possuem um esquema fácil de recarga de tanques, com variados planos com preços diários para refil de um ou mais tanques. Nós alugamos os tanques na Caribe Inn, que já era vizinho do apartamento que alugamos na Blachi Koko. Como já estávamos com todo o equipamento, só precisamos do tanque e cinto de lastro, pagando 19 dólares o primeiro tanque do dia e 6 dólares cada refil. Há ainda aqueles que fazem por pouco mais de 30 dólares o tanque com recargas free. É preciso também pagar uma taxa ambiental obrigatória de 25 dólares, já que toda a costa da ilha é um parque nacional marinho. Assim que você paga a taxa, em qualquer operadora, receberá um tag que deve estar contigo em todos os mergulhos, de preferência preso ao seu BCD.
Praparando-se para mergulhar em Invisible, no sul de Bonaire
Selecionar os pontos de mergulho não é uma tarefa fácil, pois são muitos, todos maravilhosos e com muitas semelhanças. A maioria tem uma profundidade máxima de 30m, visibilidade de 20 ou 30 m dependendo das correntes e do clima.
Mergulhando no Hilma Hooker, que naufragou em 1985 no sul de Bonaire
Para ajudar nessa pesquisa, também coloco aqui o link de um bom site brasileiro com histórico da ilha, mapa dos pontos e boas dicas de mergulho em Bonaire. Nós conversamos com o pessoal da Caribe Inn e com os donos da nossa pousada, também mergulhadores e acabamos fazendo a seguinte seleção:
1° DIA – EIGHTEENTH PALM – 25/10
O primeiro mergulho em Bonaire, quase no centro de Kralendijk
Foi o nosso primeiro mergulho, então resolvemos fazer exatamente em frente ao Carib Inn, meia quadra do nosso hotel, uns 50 passos do nosso quarto. O mar do caribe é um aquário maravilhoso! 20 ou 30 metros de visibilidade, milhares de christmas trees, mas também vimos muitas partes de um barco que naufragou há pouco tempo por ali, uma lixarada... mapas, pneus, etc.
Uma carta náutica de um naufrágio em Kralendijk, em Bonaire
Tínhamos esperança de encontrar golfinhos por ali, pois nos disseram que um dia antes o pessoal teve a sorte de fazer snorkel e nadar com eles exatamente neste ponto, mas parece que hoje resolveram se mudar.
Um enorme pneu em mergulho em Kralendijk, em Bonaire
2° DIA – WILLEMSTOREN LIGHTHOUSE E SALT PIER – 26/10
Muitas Christmas´trees em mergulho em South Pier, no sul de Bonaire
A água em Bonaire é tão quente (30, 31°C) que decidimos não usar neoprene a partir de hoje. O nosso primeiro mergulho deste dia foi no Willemstoren Lighthouse, no sul da ilha. Lá a barreira de corais muda bastante, muitos corais moles parecendo uma floresta, milhares de cardumes e tivemos a sorte até de ver uma moréia pintada! Soubemos que há uns dois anos as moréias quase se extinguiram aqui em Bonaire devido a uma enfermidade que atacou principalmente as moréias verdes.
Drum-fish em mergulho em South Pier, no sul de Bonaire
O segundo mergulho à tarde foi no Salt Pier, um cenário totalmente diferente formado por uma construção que mais parece uma nave extraterrestre de filmes hollywoodianos. Entretanto a natureza é tão perfeita que se adéqua a toda essa parafernália metálica e forma um espetáculo ainda mais bonito.
Tarpoon em mergulho no South Pier, no sul de Bonaire
Esponjas e corais incrustados nos pilares, milhares de cardumes de diferentes espécies e tarpons imensos formavam o cenário. Até um spotted drum fish nós encontramos, lindo! O final da tarde é um horário ainda mais bonito para este mergulho, pois a incidência da luz entre as colunas faz um show ainda mais bonito.
Passando por entre os pilares submersos de South Pier, no sul de Bonaire
3° DIA – KARPATA E INVISIBLES – 27/10
No terceiro dia decidimos ir ao norte da ilha, escolhemos o ponto chamado Karpata. Estava cheio quando chegamos, o que só nos deu ainda mais curiosidade e vontade de mergulhar lá. Este foi o dia em que eu mais sofri para compensar a pressão nos meus canais sinusais. Com a mudança de clima a minha rinite atacou e eu fiquei toda entupida. Então o Rodrigo resolveu dar um pulinho lá nos 50m enquanto eu o acompanhava dos 10m.
Mergulhando em Karpata, no norte de Bonaire
Foi um bom teste para a visibilidade vertical do ponto, que não correspondeu às expectativas e por alguns minutos perdi o Rodrigo de vista. Ele voltou todo feliz com o computador marcando 50m de profundidade, nem tão feliz assim quando levou uns cascudos na cabeça! Adora quebrar regras... Do meio para o final do mergulho eu já estava conseguindo compensar melhor e consegui chegar aos 30m de profundidade e ter uma noção melhor da geografia do lugar, com canaletas de areia entre as paredes de corais bem verticais, muito bonito!
Mergulhando em Karpata, no norte de Bonaire
A tarde fomos para o Invisibles, ponto mais ao sul da ilha. Lá foi o local aonde mais vimos os lindos e malditos lions fishes, foram uns 8 ao total! Eles viraram uma praga aqui no Caribe, pois são um peixe intruso vindo do pacífico, venenoso e não possui predador. O nome do ponto é curioso, por que será que se chama Invisíveis? Até onde eu pude perceber pode ter duas explicações: ou é devido a uma segunda barreira de corais que está lá nos 35m de profundidade (onde mora a família inteira dos lions fishes) e se você não sabe dificilmente irá encontrá-la. Ou é pelo imenso jardim de enguias que tem na rampa de areia entre os dois conjuntos de corais. As enguias estão sempre se escondendo, quase invisíveis, mas impossível não notá-las, já que são centenas e centenas, nos olhando de longe curiosas e medrosas quando passamos. É um mergulho lindo!
Muitos Lion Fish em mergulho em Invisible, no sul de Bonaire
4° DIA – HILMA HOOKER – 28/10
Explorando o naufrágio Hilma Hooker, no sul de Bonaire
No quarto dia resolvemos fazer apenas um mergulho, pois pela manhã fomos conhecer o Parque Nacional no norte da ilha. Fechamos nossa passagem por Bonaire com chave-de-ouro, visitando o imponente naufrágio Hilma Hooker. Este navio naufragou em 1984 e levava uma carga de 7 toneladas de maconha. Sua tripulação obviamente fugiu ao ter a carga descoberta. O navio está inteiro e deitado aos 30m de profundidade logo ao lado da parede de corais.
Examinando a âncora do Hilma Hooker, no sul de Bonaire
Estes 27 anos não foram suficientes para esponjas e corais tomarem conta do seu casco, daria até para acreditar se alguém falasse que naufragou há menos tempo. No tour pelo naufrágio podemos ver o seu compartimento de cargas imenso que está aberto, mastro, escadas e até a privada do banheiro pela janela traseira. Ao lado dele me deparei com uma barracuda gigante, devia ter 1,60m pelo menos.
Uma grande barracuda nos acompanha durante mergulho no Hilma Hooker, no sul de Bonaire
É fácil se perder no tempo neste mergulho, um naufrágio tão lindo, visibilidade e temperatura perfeitas, quando vemos já estamos quase entrando em deco. Fomos embora arrastados pela responsabilidade, pois se pudéssemos criávamos guelras e ficávamos por ali, como fizeram uns velhinhos americanos que vimos entrar, ir mais fundo e não vimos voltar. Criaram guelras, é a única explicação! Rsrs! Fechamos nossa parada de segurança nos corais mais rasos nos divertindo com o caranguejo aranha e seu amigo camarão transparente e azul.
Sessão de ioga subaquática em Invisible, no sul de Bonaire
Ao total foram apenas 6 mergulhos em 4 dias. Se dependesse apenas de mim teriam sido 16! Quatro mergulhos por dia incluindo noturnos, que são tranquilos já que o local quase não tem correnteza, é só cair na água. Rodrigo, porém estava em outro ritmo, queria ficar mais tranquilo, aproveitar a nossa estrutura para brincar de casinha. Todos os dias preparávamos um café da manhã gostoso e saudável com iogurte, granola e frutas. Um almoço e jantar de salada verde e peito de frango, comida saudável difícil de achar durante a viagem. Aproveitamos para descansar, trabalhar e assim também poupei as minhas vias aéreas que sofriam com a pressão, por causa da rinite. Nem preciso dizer que já quero voltar, ainda temos mais de 70 pontos para explorar neste pedaço de paraíso na terra.
Pôr-do-sol visto debaixo d'água! (em Invisible, no sul de Bonaire)
A praça central da bela Quetzaltenago, mais conhecida como Xela, na Guatemala
Hoje saímos de San Marcos em direção a segunda maior cidade da Guatemala, que possui em torno de 150 mil habitantes: Quetzaltenango! O nome é tão difícil que até os habitantes, fluentes em maia e K´iqche´, decidiram apelidar-la “Xela”, encurtamento do nome indígena Xelajú.
Friozinho gostoso em Quetzaltenago, mais conhecida como Xela, na Guatemala
Xela está a 2.335m de altitude e tem um clima parecido com o de Curitiba. Frio de manhã, morno pelas 10h, 12h30 é aquele calor de rachar, 16h volta a ficar morno e no final da tarde começa a gelar. Xela estava tranquila, domingão, dia de ruas vazias, alguns turistas passeando por aí e de reunir os amigos na Praça Centro America, praça principal da cidade. Comemos um sanduíche no agitado Tejún, bar que fica na Pasaje Enriquez, entre a 12 e a 13ª Avenida.
Muita vida cultural em Quetzaltenago, mais conhecida como Xela, na Guatemala
A maioria dos turistas que vemos por aqui são estudantes de espanhol, que vem para cá passar uma temporada de 1, 3 ou 6 meses estudando a língua e absorvendo a cultura local. Por isso também a cidade tem um clima bem festivo e vários barzinhos alternativos. Ainda assim a cidade conserva a sua identidade e características guatemaltecas, sem se perder nos “internacionalismos” que sempre aparecem com o turismo.
Monumento em Quetzaltenago, mais conhecida como Xela, na Guatemala
Há um fato histórico sobre a cidade que merece destaque. No início do século passado houve um movimento de 6 estados guatemaltecos para a criação de um novo país e Xela estava na liderança deste processo. Essa era a região mais rica do país, devido à imigração européia que existia, para terem uma idéia, o primeiro banco do país nasceu aqui. Essa região era abandonada pelo poder central da Guatemala e chegou a haver uma luta entre os separatistas e o governo, com derramamento de sangue e morte. A partir daí o governo viu que a coisa era séria e resolveu direcionar recursos para saúde, estradas e infra-estrutura, acalmando os ânimos dos “revoltosos”.
Arquitetura pomposa em Quetzaltenago, mais conhecida como Xela, na Guatemala
Nos arredores de Xela está o principal motivo de estarmos aqui, o vulcão Tajumulco, ponto mais alto da América Central e amanhã, é para lá que nós vamos!
Arte nas ruas de Santo Antônio, em Salvador - BA
Destino preferencial dos brasileiros, segundo pesquisa do Ministério do Turismo, Salvador oferece opções para todos os gostos. Desde o turismo histórico em suas diversas igrejas e prédios históricos, cultural, não só em museus maravilhosos como o MAM e Jorge Amado, como também musical e com um olhar muito especial para a cultura negra. Além disso ainda possui todas as belezas naturais ao seu redor, a Baía de Todos os Santos, Praia de Itapoã, orla Barra-Ondina e as praias do norte.
O Farol da Barra, em Salvador - BA
Dia de turismo nos pontos mais conhecidos de Salvador: Pelourinho e arredores. Sempre lotados de turistas dos quatro cantos do mundo, pegamos uma dica especial com nossas anfitriãs baianas e procuramos o mais alternativo dentro dos caminhos mais conhecidos de Salvador. Por isso começamos nossa caminhada no Centro Histórico a partir do Forte de Santo Antônio do Além do Carmo, também conhecido como Forte da Capoeira. Um centro de pesquisa e memória da capoeira no Brasil, lá 7 grupos de capoeira oferecem aulas e realizam apresentações no início da noite, com a bela vista para a baía.
O Forte da Capoeira em Salvador - BA
Caminhamos pela Rua Direita de Santo Antônio, um bairro histórico que ainda não foi dominado pelo turismo e lojinhas como o Pelourinho. Ainda encontramos as senhorinhas na janela, vendo a vida passar como há 50 anos.
Arte nas ruas de Santo Antônio, em Salvador - BA
Algumas casas antigas já reformadas se tornaram pousadas com uma bela vista para a baía. Soubemos que ali mesmo o Grupo Iguatemi já comprou mais de 30 casas para reformar e fazer uma galeria de rua com lojas bacanas, visando atrair os turistas mais abonados.
Almoçando em uma das pousadas em Santo Antônio, em Salvador - BA
Almoçamos em um desses hotéis com a bela vista e fomos em direção ao Pelourinho, passando pela Cruz do Pascoal em direção ao Carmo e os antigos Convento e Igreja Carmelitas, forte da resistência holandesa no século XVII. Hoje o Convento se transformou em um hotel 5 estrelas e em um museu que está sendo restaurado. Descemos pela ladeira do Carmo e conferimos a famosa escadaria onde foi filmado “O Pagador de Promessas” e pela imponente Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, embora esteja em estado de abandono ainda se destaca em meio a tantas construções antigas e históricas.
A famosa Escadaria do Carmo, do filme "O Pagador de Promessas", em Salvador - BA
Subindo a ladeira para o Largo do Pelourinho sempre bate aquela emoção, o lugar tem uma presença e uma energia muito boa. Logo lembrei das cenas famosas ali filmadas, da vez que estive aqui no carnaval de 1999, das marchinhas de carnaval, do Olodum tocando com o Micheal Jackson... arrepia!
Ladeira do Carmo e subida do Pelourinho, em Salvador - BA
Compramos uma pilha na porta em que Micheal saía no clipe, até ganhei uma foto na sacada de Micheal por ter adquirido um produto na lojinha! Ali estava passando o clipe e confesso que eu fiquei arrepiada, o cara era estranho, pedófilo, mas era um gênio da música pop.
A casa do clipe de Michael Jackson no Pelourinho, em Salvador - BA
Continuamos andando e chegamos à Praça Terreiro de Jesus, também famosa por suas construções da Ordem Terceira Franciscana e restaurantes típicos. Não poderíamos deixar de ter a vista panorâmica do Cruzeiro de São Francisco para o Mercado Modelo , o monumento à Bunda da Baiana e o Elevador Lacerda.
Monumento na Cidade Alta, em Salvador - BA
Elevador Lacerda visto da Cidade Alta, em Salvador - BA
Descemos no Elevador Lacerda, elevador hidráulico que une a cidade alta à cidade baixa e percorremos as bancas de renda, instrumentos musicais e temperos da terra no Mercado Modelo.
Mercado Modelo, em Salvador - BA
Retornamos ao Forte da Capoeira no final da tarde para ver o belíssimo pôr-do-sol na baía e tentar ainda ver alguma apresentação de capoeira. Cedo demais, a roda de capoeira da angola começaria só as 19h, por isso decidimos voltar para casa mais cedo. Não sei se foi a melhor escolha, pois ficamos quase 1h30 no trânsito entre Santo Antônio e Pituaçú, é Salvador cresceu e muito! Fechamos o dia em casa, colocando os em dia os assuntos dos 10 últimos com Monica em um delicioso jantar caseiro. Desse jeito não vou querer ir embora dessa terra é nunca!
Admirando o pôr-do-sol em Salvador - BA
Muito barro no caminho à Mompós, na Colômbia
Saímos de Bucaramanga cedo, já que a previsão de todos os locais é que levaríamos pelo menos 8 horas até Mompós. Nós, sempre que estudamos os mapas aqui na Colômbia temos previsões mais otimistas, afinal 100 km podem ser feitos em 1 hora, 1 hora e meia, certo? Errado! Esta conta não se aplica para as estradas colombianas e muito menos para as equatorianas. Um terreno muito montanhoso, muitas curvas, subidas e descidas, muitas tracto-mulas (caminhões) e obras nas estradas. O caminho de hoje ainda tem um “porém”, vamos cruzar a região do afamado Rio Magdalena.
Cruzando de balsa um dos braços do Rio Magdalena, no caminho à Mompós, na Colômbia
Um dos rios mais importantes da Colômbia, longo e caudaloso. A Cordilheira dos Antes se divide em três no território colombiano, formando a cordilheira ocidental, central e oriental. Este rio nasce no sul, cruza todo o país entre as cordilheiras central e ocidental, e chega aqui mais possante, formando uma imensa planície alagada. O vimos lá em San Agustín, onde o rio passava por um estreito de apenas 2,20m e agora ele é quase como o Rio Amazonas no Brasil. Para ajudar, estamos no inverno, portanto as chuvas aumentam o nível das águas, que fecham estradas, levam embora as pontes e complicam bastante a comunicação viária da região.
Visita ao "Estrecho", ponto onde o leito dopoderoso rio Magdalena se estreita a apenas dois metros! (em San Agustín, na Colômbia)
Nossa viagem começou tranquila, conseguimos cruzar um trecho que todos diziam que levaria 6 horas em apenas 4. Porém quando chegamos na entrada para El Banco, a novela começou. A via estava fechada, nos avisou o frentista do posto, “vocês devem seguir mais 140km até Cuatro Vientos e de lá seguir em direção à El Banco. Aumentamos o nosso itinerário em mais de 170km, pois a volta por lá era muito maior. Chegamos a pensar em desistir, vendo a costa cada vez mais próxima nas placas. NÃO, temos que conhecer Mompós!
Revoada de garças vista do ferry sobre o Rio Magdalena, em Mompós - Colômbia
Eu vi pelo GPS que havia um caminho por uma cidadezinha chamada Astrea, era uma estrada secundária (terciária na verdade), mas parecia mais seco, mais distante de áreas alagadas. Perguntamos em um posto e um cara meio sem noção nos assegurou que o caminho via El Banco era melhor, quase todo asfaltado. Lá fomos nós... Seguimos por asfalto até El Banco e chegando lá descobrimos que a via estava fechada, é claro! O rio subiu, é só olhar o mapa que fica fácil imaginar. A estrada ainda deixava passar moto, mas carro estava impossível, nos assegurou um banqueño. Voltamos até o Km 22, onde deveria haver um desvio por uma vila chamada El Guamo. Perguntamos ao senhor da vila e ele nos esclareceu: “Não é exatamente uma estrada, é uma trilha de lama com muitas partes alagadas.”
Exibir mapa ampliado
Seguimos para Astrea, a nossa última alternativa. Chegamos na cidade já começava a escurecer. Decidimos parar por ali e descansar em um dos poucos hotéis da cidade. O dia de hoje já tinha nos mostrado que a aventura estava apenas começando. Gonçalves nos recebeu de braços abertos. Hotel simples, sem ar condicionado e com banho de balde. Comemos um pollo com papas na nova lanchonete da cidade e sentamos no boteco em frente ao hotel para tomar uma Aguilita. Aqui as cervejas grandes tem 330ml e a pequena tem uns 200ml, tamanho que aqui faz sentido, pois não dá tempo de esquentar! Poucos minutos depois, Gonçalves chegou para nos fazer companhia e nos contou algumas histórias da sua vida, como da vez que foi ameaçado de morte pelos narco-traficantes por não pagar a “proteção” à sua pizzaria. Teve ainda a história de sua ex-mulher, que depois de sumida por 5 anos, levou as crianças para passear e nunca mais voltou. É, e nós que pensamos que estamos vivendo uma aventura...
Após o nascer-do-sol, fazendo festa a mais de 3 mil metros de altitude, no cume do vulcão Haleakala, em Maui, no Havaí
Você resolveu dar um rolé por todas as ilhas do Hawaii e só planejou dois dias na Ilha de Maui? Primeiro já aviso, nenhuma ilha havaiana merece tão pouco tempo, mas eu sei que a vida não é sempre como nós queremos. Nós planejamos 3 dias e meio e depois de explorarmos as praias da costa de West Maui e ter uma super experiência havaiana em um luau na Little Beach, concentramos a melhor programação nos dois últimos dias, já que foi quando o casal Laura e Rafael se juntou à Expedição 1000dias aqui no Hawaii! Segundo aviso, vai ser corrido, mas você vai conseguir ver o melhor de Maui em 48 horas! Aí vão as dicas!
A caminho de Hana, na costa leste de Maui, no Havaí
1° DIA - 4:45am - Molokini Crater
Formada aproximadamente há 230 mil anos, a cratera vulcânica Molokini está parcialmente submersa e é um paraíso para os mergulhadores. A borda do cone vulcânico que está acima d´água tem o formato de lua crescente, que forma uma pequena baía protegida das poderosas correntes do Alalakeiki Channel, a 4km da costa entre as ilhas de Maui e Kaho´olawe.
Chegando à ilha de Maui, no Havaí
O mergulho lá é suuuper popular, então se você curte um esquema mais “exclusivo”, digo, se você prefere mergulhar sem hordas de turistas, snorkelers e mergulhadores, a dica é chegar cedo, mas cedo mesmo! Nós acordamos as 4h15 da manhã e as 4h45 estávamos no píer onde o barco da B&B Scuba no esperava. A operação deles é simples, eficiente e o mais importante mega bem humorada! O capitão do barco e o nosso dive master eram duas figuras! O tempo todo super dispostos a ajudar, mas não perdiam a chance de contar uma piada ou tirar uma onda com suas histórias havaianas e subaquáticas. Um ótimo jeito de melhorar o humor depois de madrugar para estar lá!
Ainda de madrugada, embarcando para mergulhar em Molokini, na costa de Maui, no Havaí
6am - Ainda era noite quando chegamos, fechamos os detalhes de equipamentos e quando o sol começava a aparecer no horizonte, ainda com estrelas no céu, o barco zarpava em direção à Molokini.
Chegando à cratera semi-submersa de Molokini, na costa de Maui, no Havaí
7am - Nos dividimos em dois grupos de 4 mergulhadores e caímos na água, com 26°C e visibilidade de 30m! O fundo de areia, mesclado com pedras e pequenos corais pode deixar todos meio desanimados no começo, mas foi ali que encontramos nossos primeiros tubarões! Os dois white tip sharks tinham um pouco mais de um metro e passaram do nosso lado no areal. Logo abaixo deles um jardim de enguias se escondia dos invasores/mergulhadores enquanto passávamos em direção à parede de corais. Vimos moreias, diferentes peixes e não demorou muito nosso guia maluco nos apareceu com um polvo, lindo! Ele mudou de cor, passeou e nadou se exibindo para a galera, sensacional!
A cratera semi-submersa de Molokini, na costa de Maui, no Havaí
O segundo mergulho poderia ser na costa, mas o mar já estava querendo virar. No intervalo de superfície caímos na água para brincar com alguns golfinhos curiosos que se aproximaram, uma mãe e um filhote lindos! Pena que a visita foi rápida.
Momentos antes da nossa câmera pifar de vez, durante mergulho em Molokini, na costa de Maui, no Havaí. As cores já estão distorcidas...
8:30am - Caímos novamente na água rodamos os corais, o areal e desta vez, mais próximos do barco em um banco de corais nos divertimos encontrando os pequenos nudibranquios, uma imensa barracuda e um berçário de white tip sharks! Os 5 tubarões(zinhos) estavam enfiados dentro de uma caverninha formada pelos corais a uns 8m de profundidade! Lindos demais!!!
Início de mergulho em Molokini, na costa de Maui, no Havaí
Durante todo o mergulho ouvimos as baleias jubarte cantando, sentíamos vibrar em nosso peito, olhávamos ao redor e não conseguíamos encontrá-las. Estavam ali, do nosso lado, em algum lugar dessa imensidão azul. Junto das baleias escutamos os golfinhos, que segundo alguns locais ajudam as mamães jubarte no momento do parto, rodando ao redor dela para proteger de possíveis predadores atraídos pelo sangue. Sábia mãe natureza! Já imaginaram o que é mergulhar em um lugar desses com uma trilha sonora de cantos de jubarte e golfinhos?
Voltando do ótimo mergulho na cratera semi-submersa de Molokini, na costa de Maui, no Havaí
10:30am - Voltamos ao píer e logo estávamos no nosso hotel, tomando uma ducha e nos preparando para as explorações do dia, a costa sul de Maui.
Wailea e Makena State Park
Depois de voar e madrugar para mergulhar na Molokini Crater você com certeza vai querer uma tarde mais tranquila, aproveitando o sol, a praia e o dulce fare niente!
A praia de Big Beach, ao sul de Kihei, litoral de Maui, no Havaí
12pm - Saímos para explorar a costa sul da ilha, pegamos o nosso carro em South Kihei e nos mandamos para La Perousse Bay, onde muitas vezes o snorkel promete um grupo de golfinhos rotadores nas suas tranquilas águas azuis. A baía rodeada de pedras negras e campos de lava hoje estava um pouco movida e movimentada ,e ao que tudo indicava, os golfinhos não estavam por ali. Sacamos umas fotitas e subimos pela via costeira que tem vistas lindas do litoral, até chegarmos ao Makena State Park.
Entrando no mar em Big Beach, ao sul de Kihei, litoral de Maui, no Havaí
14pm - O Makena tem duas das praias mais preservadas de Maui, uma área aonde hotéis e lojas não chegam, por isso leve o seu almoço ou compre um fish taco no food truck do estacionamento. Ficamos algumas horas entre a Big Beach e a Little Beach, com vista para a ilha de Kaho´olawe e para Molokini onde estivemos pela manhã. A gurizada do skimboard estava arrasando nas ondas perfeitas da Big Beach, que quebram com mais de metro bem na beirada, fazendo altas manobras radicais.
Surfista mostra seus truques em Big Beach, ao sul de Kihei, litoral de Maui, no Havaí
Surfistas dão show na Big Beach, em South Kihei, em Maui, no Havaí (foto de Laura Schunemann)
Cruzamos para a Little Beach, hoje lotada de turistas com e sem roupa, lembrando que aqui é a praia dos naturistas, portanto roupa é opcional. Encontrei um dos organizadores da festa de domingo que já nos incluiu em uma roda de surfistas locais, vários peladões da tribo dos “bunda preta” que surfam o dia inteiro e trazem sua farofa e frango assado de casa (literalmente, nós vimos um inteiro sair de dentro da mochila!) para matar a fome de leão depois que saem da água. Eles passam o dia inteiro nesse pedaço de paraíso, tem coisa melhor?
Botando a conversa em dia, depois dez meses sem se ver (na Big Beach, em South Kihei, em Maui, no Havaí - foto de Laura Schunemann)
8pm - Parada Gastronômica
À noite você vai estar morrendo de fome e sono, então se está hospedado em South Kihei e ainda quer ter uma experiência gastronômica havaiana em alto estilo, a dica é ir até o Sarento´s on the Beach, restaurante na beira da praia ao lado do Hotel Days Inn. Ele não é dos mais baratos e é melhor garantir lugar reservando com antecedência, mas o cardápio e o serviço são impecáveis! Nós provamos o Grilled Hawaiian Ahi, um corte grosso e tenro de atum fresco salteado na grelha, quase cru, com gnocchi de queijo de cabra e um purê de batatas com alho. Divino! Ah, não se esqueça de provar o Mai Tai, famoso drink havaiano. Tim tim!
Delicioso jantar em Kihei, em Maui, no Havaí
2° DIA - 4:30am – Haleakala Volcano
O Haleakala é a maior montanha (3.055m) e compõe 75% da Ilha de Maui. O seu nome significa em havaiano “a casa do sol”, de acordo com uma lenda local o vale formado pelos diferentes cones no alto do Haleakala era a casa da avó do semideus Maui. Maui teria capturado o sol, com a ajuda de sua avó, para forçá-lo a se pôr mais vagarosamente, deixando o dia mais longo. O Haleakala é um parque nacional que abriga diversas espécies endêmicas como a frágil Silversword e é casa para o pássaro símbolo do Hawaii, o Nene.
As estranhas plantas que crescem a 3 mil metros de altitude, no topo do vulcão Haleakala, em Maui, no Havaí
A peregrinação ao Haleakala começa as 4h30 da manhã em direção ao seu cume onde está uma das mais lindas vistas e nasceres do sol de Maui. De South Kihei o trajeto dura 1h45, confira o horário em que o sol nasce aqui neste link e saia do hotel com 2 horas de antecedência para garantir. Centenas de turistas sobem as montanhas ainda no escuro para ver o fenômeno, torcendo para as nuvens dissiparem e darem uma visão completa da costa sul da ilha. Nós não tivemos tanta sorte, o tempo estava bem nublado, o que para um nascer do sol não é de todo mal, pois as nuvens filtram os raios solares dando um efeito super bonito na luz da manhã.
Observando o sol nascer do alto do vulcão Haleakala, em Maui, no Havaí, a mais de 3 mil metros de altitude
Uma foto da foto da foto, no cume do vulcão Haleakala, em Maui, no Havaí
Assim que o sol nasceu, uma ranger cantou uma linda música tradicional havaiana. A princípio eu achei que era uma música em homenagem ao sol, fiquei emocionada com o momento, nascer do sol em contato com a cultura havaiana.
O sol nascendo no alto do vulcão Haleakala, em Maui, no Havaí
A paisagem marciana do interior da cratera do vulcão Haleakala, em Maui, no Havaí
Assim que o canto terminou ela fez um discurso emocionado, contando que hoje pela manhã algum turista em alta velocidade matou dois Nenes (o pássaro símbolo havaiano ameaçado de extinção) que atravessavam a estrada. Com a voz trêmula e indignada ela chorava a perda de duas vidas e implorava a todos que tivessem respeito à vida e à consciência no trânsito, principalmente dentro do parque nacional. Após alguns minutos de silêncio e algumas lágrimas nos despedimos do parque com um rápido encontro com um de seus irmãos, este aí na foto.
Um raro Nene, pássaro típico do arquipélago, caminha tranquilamente em trilha no alto do vulcão Haleakala, em Maui, no Havaí
Vários pequenos vulcões dentro da grande cratera do vulcão Haleakala, em Maui, no Havaí
Se você não tivesse apenas 48 horas em Maui a dica seria ficar aqui no parque e aproveitar as centenas de quilômetros de trilhas, cachoeiras e paisagens maravilhosas. Um dia só no parque pode ser pouco.
Após o nascer-do-sol, fazendo festa a mais de 3 mil metros de altitude, no cume do vulcão Haleakala, em Maui, no Havaí
8am – Fazenda de Lavanda e Café da Manhã
No caminho de volta do Haleakala passamos pelas fazendas de lavanda, agora visíveis com a luz do dia. Uma delas é impossível de perder, na estrada principal do lado direito está esta doçura de fazenda, casinha e gazebo brancos, bancos espalhados no jardim com vista para a plantação de lavandas e em um dia limpo pode-se ver o mar! A lojinha tem vários sanduíches, sucos e chás, além de uma diversidade de produtos naturais feitos de lavanda, coco e outros óleos naturais.
Uma plantação de lavanda nas encostas do vulcão Haleakala, em Maui, no Havaí
9am – Estrada para Hana
Depois de tomar um café ou um chá para acordar e recarregar suas energias na fazenda, hora de colocar o pé na estrada em direção à Hana. A estrada é longa e sinuosa, mas promete algumas das vistas mais lindas da ilha.
Belíssima paisagem na estrada para Hana, na costa leste de Maui, no Havaí
Muitas cachoeiras na estrada para Hana, na costa leste de Maui, no Havaí
A Hana Highway corta uma linda mata tropical, cruza rios, cachoeiras e penhascos com vista para o Oceano Pacífico. São 110 km entre a entrada do parque nacional até a cidade de Hana, mas que levam em torno de 3 horas para serem completados. No caminho vamos parando nos mirantes e cachoeiras e uma das paradas obrigatórias, já bem próximo à Hana, é uma barraquinha de sorvete artesanal com sabores como coco, pistache, maracujá (lilikoi), café e chocolate. O sorvete de coco é um dos mais famosos, são 5 dólares (é caro eu sei), mas você pode misturar dois sabores e a combinação de coco com pistache é a melhor!
Parada estratégica em uma banca de sorvetes na estrada para Hana, na costa leste de Maui, no Havaí
Um delicioso sorvete na estrada para Hana, na costa leste de Maui, no Havaí
Hana é a cidade mais bicho grilo de Maui, a vila alternativa tem projetos de educação ambiental com as crianças, artesãos e uma comunidade que pouco mudou nos últimos 20, 30 anos! Tudo isso em meio a uma natureza exuberante, cachoeiras e praias eleitas das mais bonitas dos Estados Unidos. Devido a este isolamento e misticismo, alguns a chamam de “O ultimo lugar verdadeiramente havaiano”.
A cidade de Hana, na costa leste de Maui, no Havaí
Infelizmente nós pegamos um dia nublado e apenas o mormaço da tarde nos encorajou a pegar uma praia na Hamoa Beach, eleita uma das mais lindas dos EUA. É bonita, mas acho que faltou um sol para nós concordarmos. O nosso tempo estava curto acabamos não conseguindo chegar ao principal ponto turístico de Hana, as Seven Pools. Enfim, só mais um motivo para voltarmos.
Praia em Hana, na costa leste de Maui, no Havaí
No retorno à Kihei ainda paramos na Maliko Bay, em busca das super ondas que batem na costa norte. As famosas jaws só entram quando o mar está acima de 25 pés e infelizmente Namaka, a deusa havaiana dos mares, ainda não estava em sua maior fúria e melhor humor para tal.
Surfistas se espremem na Norh Shore de Maui, perto de Jaws, no Havaí
9pm - À noite jantamos em um restaurantinho gostoso no centrinho de Kihei e reencontramos um casal de amigos viajantes que conhecemos em Seattle. Pois é, não é que Corinne, David e Thalia vieram parar aqui, em Maui, na mesma época que nós!?! E ainda por cima vieram acompanhados do mais novo(a) membro(a) da família. Sim, Corinne está grávida! Bem que eu havia desconfiado, ela já estava com uma super cara de grávida quando nos encontramos. Eles estão passando 15 deliciosos dias de férias só em Maui. Fomos a uma sorveteria reconectar, contar histórias de viagens e combinar um futuro encontro, da família completa, lá no Brasil.
O alegre reencontro com os amigos de Seattle, o David, a Corinne e a espevitada Talia, em sorveteria de Kihei, em Maui, no Havaí
Foram 48 horas de vários quilômetros e muitas paisagens novas na bagagem, com pitadas de cultura, gastronomia, ares de praia, mar, vulcão e fazendas em uma das mais famosas ilhas do Hawaii.
Roteiro de carro: 2 dias na Ilha de Maui
E então, curtiu o nosso roteiro em Maui? Deixe seu comentário, compartilhe e viaje com a gente.
A longa estrada em direção à Fiambalá e ao Paso san Francisco, na Argentina
Há uma semana saímos de Curitiba, cruzamos o oeste de Santa Catarina e Rio Grande do Sul, passando pela colônia austríaca de Treze Tílias, o Parque Estadual do Turvo, onde está a maior cachoeira horizontal do mundo e conhecendo algumas das ruínas mais antigas do Brasil e da Argentina, as Missões Jesuíticas. Desde San Ignácio Miní começamos a nossa longa travessia do centro norte argentino, saindo de Posadas, quase na fronteira com o Brasil, cruzando desertos e longas planícies, vales e montanhas que a separam da imponente Cordilheira dos Andes.
Exibir mapa ampliado
Foram 1.560 km divididos em três longos dias de muita estrada e explorações. Depois de aproveitarmos bem a manhã em San Ignácio Miní e Loreto, pegamos a estrada e rodamos os primeiros 400km até a cidade de Corrientes. No caminho encontramos com o grupo de motociclistas paulistanos, Alexandre, Leandro e Pelegrini que sobre duas rodas estão percorrendo mais de 6 mil quilômetros em 12 dias! Eles saíram de São Paulo, cruzaram a fronteira Brasil – Argentina em Foz do Iguaçú e estão a caminho do Paso de Jama, San Pedro de Atacama e Machu Picchu! Um desafio e tanto! Boa sorte e boa estrada para vocês, amigos!
Encontro com os motociclistas Pelegrini, Alexandre e Leandro, no seu caminho para Machu Picchu, na estrada a caminho de Corrientes, na Argentina
Às margens do Rio Paraná a capital da Província Argentina de Corrientes é também conhecida como a cidade dos murais. As centenas de murais colorem os muros dos bairros contando histórias da vida e do cotidiano do povo que vive na região. Eles rivalizam com as centenas de esculturas da cidade vizinha, Resistência, famosa pelas diversas esculturas e todos os estilos, cores e tamanhos espalhadas pela cidade.
Corriente; é conhecida como a "cidade dos murais"s, na Argentina
Corriente; é conhecida como a "cidade dos murais"s, na Argentina
Nós ficamos hospedados em um tradicional hotel no centro, o Hotel Orly, ao lado da peatonal e ainda tivemos energia para sair em busca de um dos seus renomados restaurantes, o Enófilos. Além dos vinhos o Enófilos se destaca por sua culinária gourmet típica, com peixes do Rio Paraná, combinados com criações de mandioca e outas raízes comuns no cardápio dos Guaranis. Como era domingo demos com a cara na porta e acabamos tendo que nos render à uma parrilla da Avenida Costaneira. Caminhamos pelo calçadão beira rio, dançamos tango à luz da lua, com um grupo de jovens senhores entusiastas do tango na cidade. Todos os domingos eles dão aulas gratuitas em uma das pracinhas na beira do rio. Uma delícia!
O rio "brasileiro" Paraná, em Corrientes, na Argentina
No dia seguinte caímos na estrada logo cedo e sem muitas paradas aceleramos com a Fiona rumo à Santiago del Estero, capital da província homônima. Apelidada de “Madre de las Ciudades” (a mãe das cidades), Santiago del Estero foi uma das primeiras cidades argentinas fundadas pelos espanhóis e a única que continua viva. No caminho entre o Perú e Buenos Aires, era um ponto estratégico para as tropas que se deslocavam trazendo mercadorias e que avançavam na colônia fundando novas cidades. Embora não tenha sobrado muito do charme colonial nas ruas de Santiago del Estero, dizem que o Museu Arqueológico é uma das principais atrações. Nós chegamos já no começo da noite e depois de 620 km só queríamos jantar e ter uma boa noite de sono. O jantar foi em um tradicional italiano da cidade, o Mía Mama com pratos deliciosos e um ambiente bem agradável.
Muitos murais espalhados pelas ruas e praças de Corrientes, na Argentina
Na manhã seguinte, antes de pegarmos a estrada, ainda nos arriscamos a uma corridinha na praça para esticar as pernas, além de aproveitarmos para nos estocar de suprimentos para a tão esperada travessia dos Andes. Nosso plano é cruzar o Paso San Francisco e pernoitar uma ou duas noites no altiplano, explorando suas paisagens e lagunas, consideradas umas das mais bonitas da cordilheira.
Região desértica no caminho para Fiambalá, na Argentina
A chegada à Fiambalá, aos pés da cordilheira, ponto inicial do Paso San Francisco, não poderia ser mais acolhedora! Estivemos aqui no dia 08 de Agosto de 2011, tentando fazer esta travessia, porém a neve na rodovia nos impediu e desde então prometemos que tentaríamos regressar. Hoje estamos aqui, pouco mais de 2 anos depois, e ao que tudo indica nada, nem neve, nem o frio, irá nos impedir de cruzar essas montanhas!
Nossa pousada perto das deliciosas termas de Fiambalá, na Argentina
Ficamos hospedados na Pousadita, aos pés das termas de Fiambalá, uma das águas termais mais lindas que já visitamos! Suas águas que brotam a mais de 70°C acima das montanhas, nos aquecem e relaxam nas noites frias em piscinas de 39° a 45°C! Um fim de tarde maravilhoso, regado à um bom vinho sob o céu estrelado foram a nossa recompensa para estes 3 dias puxados de estrada! Amanhã seguimos ao Paso San Francisco, Laguna Verde e em busca da segunda maior montanha da América, o vulcão Ojos del Salado, 6.893m! Cruzem os dedos e aguardem pelas belíssimas imagens!
A longa estrada em direção à Fiambalá e ao Paso san Francisco, na Argentina
Nota: nossas fotos deste fim de tarde em Fiambalá infelizmente não sobreviveram ao roubo que sofremos aqui no Chile, mas as imagens estão na nossa memória e se você quiser ver as fotos da nossa passagem por este lugar mágico, há dois anos, é só clicar aqui.
Eu sempre achei sensacional essa história de fontes termais. Lembro quando a Juliane, minha irmã, viajou para o Chile e em uma noite estrelada tomou banho em águas termais no alto da cordilheira. Eu imaginava aquela montanha, rios de água quente e piscinas naturais de pedra. Foi uma noite mágica para ela que ficou muito clara em minha memória, quase como se eu tivesse participado. No entanto o mais próximo que eu havia chegado disso foram os banhos termais em Pamukale, na Turquia. Um córrego quente e com muito cálcio, super disputado durante o dia, fechado a noite. Pois é, nem tão mágico assim.
Piscina movimentada do Hot Park, na Pousada do Rio Quente, perto de Caldas Novas em Goiás
Hoje cedo no café da manhã do nosso hotel tivemos uma bela surpresa, encontramos o Besouro e família, sua esposa Sandreli, Caíque e o pequeno Luca. O Besouro é colega do Rodrigo dos tempos de Unicamp e está aqui a caminho do casamento que temos em Goiânia amanhã. Não por acaso, todos nós temos hoje a mesma programação: passar o dia no Hot Park dentro do Mega Resort Pousada do Rio Quente.
Com a Sandreli (esposa do Besouro), o Caique e o Lucca, na Pousada do Rio Quente, perto de Caldas Novas em Goiás
Eu já sabia que não iria encontrar o mesmo cenário chileno dos sonhos. Nas fotos víamos as piscinas, rios, tobogãs, praia artificial com ondas, etc. Mas em algum lugar ali existe a nascente, um rio mais natural que achei que poderíamos conhecer. Que nada! As nascentes ficam fechadas apenas para hóspedes e o rio já foi totalmente domesticado. O resort estava lotado, filas e mais filas para cada atração, professor de axé na beira da piscina, praia lotada, foi impossível encontrar um lugar que tivesse silêncio e um pouco de tranqüilidade. Talvez fora da alta temporada seja um pouco melhor, mas nas férias escolares no inverno?
Concorrida aula de hidroginástica na Pousada do Rio Quente, perto de Caldas Novas em Goiás
Doce ilusão. É nesta época que os pacotões turísticos do tipo CVC fazem mais sucesso. Para nós foi um choque, sair de São João Batista e cair naquela muvuca, ver o povo enlouquecido, música alta, tudo dominado! Nós não tivemos opção a não ser entrar no clima, encontrar uma cadeira na praia e até dar uma dançadinha ao som da dupla sertaneja que estava “animando” a tarde. Ainda bem que insistimos até o final para vermos aquele lugar mais vazio, fica bem mais aprazível, não acham?
Fim de tarde, aproveitando a piscina vazia do Hot Park, na Pousada do Rio Quente, perto de Caldas Novas em Goiás
Estes 1000dias são realmente uma caixinha de surpresas! Vamos dos programas mais roots, natureza e tal, até a Pousada do Rio Quente, afinal, tudo isso faz parte da América que queremos tanto explorar.
Museu Nacional dos Direitos Civis, em Memphis, no Tennessee - EUA
Saímos cedo de Fort Smith em direção à Memphis, nas margens do Rio Mississipi. A cidade foi fundada em 1819 e batizada em homenagem à Mênfis egípcia, que se localizava as margens do Rio Nilo. Cidade que estava no centro da comercial dos Estados Unidos, devido à sua localização estratégica entre o sul agrícola, sendo um dos maiores mercados de algodão, madeira e escravos dos Estados Unidos, fornecendo escravos para quase todos os estados do sul do país.
Chegando ao estado do Tennessee, perto de Memphis, nos Estados Unidos
Toda essa riqueza trouxe consigo um grande investimento em cultura e educação entre 1910 e 1950 e não por acaso a cidade se tornou o berço para manifestações dos direitos civis dos negros e trabalhadores. Incrível relembrar que na década de 60, há apenas 50 anos atrás, existia uma imensa parte dos Estados Unidos que lutava pela segregação racial, da forma hipócrita, racista e preconceituosa que se pode imaginar.
Museu Nacional dos Direitos Civis, em Memphis, no Tennessee - EUA
Bancos dos ônibus e balcões de bares que não podiam ser divididos entre brancos e negros, se houvesse apenas um branco querendo se sentar, todos os negros deveriam levantar-se. O episódio de Rosa Parks em 1955 ficou conhecido, pois ela se negou a liberar uma fileira inteira no ônibus para apenas um homem branco. “Estou cansada de ser tratada como um ser inferior”, teria dito Rosa, que foi presa por desobediência. A partir daí Memphis, Atlanta e outras cidades americanas se tornaram palco para diversas manifestações pacíficas lideradas pelo Pastor e o mais jovem ganhador do Nobel da Paz, Martin Luther King.
Luther King em um de seus memoráveis discursos
King era seguidor das ideias de desobediência civil não violentas, iniciadas por Mahatma Gandhi. A organização da Conferência de Liderança Cristã do Sul (CLCS, ou em inglês, SCLC, Southern Christian Leadership Conference) da qual ele foi presidente, ganhou força e grande cobertura da mídia e obteve êxito na maioria de suas reivindicações.
Fomos prestar nossas homenagens a Martin Luther King em Memphis, no Tennessee - EUA
King tinha apenas 38 anos quando foi assassinado com um tiro na cabeça, quando se preparava para um jantar na noite anterior à mais uma manifestação. O local foi o Motel Lorraine, que hoje se tornou o Museu Nacional de Direitos Civis, com uma bela explanação sobre a luta dos afro-americanos contra o racismo, discriminação e a favor da liberdade e igualdade de direitos.
Motel Lorraine, onde Martin Luther King foi assassinado, em Memphis, no Tennessee - EUA
O direito ao voto, o fim da segregação racial e das discriminações no trabalho foram algumas das vitórias obtidas. A maior parte destes direitos foi, mais tarde, agregada à lei americana com a aprovação da Lei de Direitos Civis (1964), logo após a morte de King.
O famoso motel onde Luther King fo iassassinado. Hoje virou museu, em Memphis, no Tennessee - EUA
A visita ao museu vale muito à pena, desde do vídeo “A testemunha”, documentário gravado com os companheiros de King que estavam com ele no momento do seu assassinato, até as diversas salas recheadas de informações, vídeos e relatos das histórias vividas na época. O quarto onde King estava, assim como a sacada ainda estão lá, como homenagem póstuma e para que a sua vida não tenha sido levada em vão.
O espetacular pôr-do-sol em Memphis, no Tennessee - EUA
Encontramos um hotel no centro de Memphis e ainda com todas as histórias e discursos de Martin Luther King na cabeça saímos andando pela cidade. Vimos o sol se pôr no famoso Rio Mississipi e chegamos à Beale Street, local onde nasceu um dos mais aclamados gêneros musicais no mundo, o Blues.
Bonde passa pela charmosa Main Street, em Memphis, no Tennessee - EUA
O ritmo afro-americano surgiu dos cânticos religiosos cantados por escravos libertos que incluíam em suas letras palavras de protesto e contra a escravidão. O ritmo e teor melancólico do blues trazem consigo essa tristeza, sofrimento e as angústias desse povo. O blues não só influenciou outros estilos musicais como o Jazz e o R&B como foi base para a criação de novos estilos como o Rock and Roll.
Guitarras expostas em loja da Beale Street, em Memphis, no Tennessee - EUA
Um dos jovens que andou aqui pela Beale Street e também recebeu esta influência foi ninguém menos que Elvis Presley! Percorrendo a cidade até a Main Street passamos pela estátua do Rei e a loja do alfaiate que fez seu primeiro figurino. Elvis dizia, “Hoje não posso te pagar, mas quando ficar rico comprarei todos os seus ternos!”, a parceria deu certo e os dois juntos lançaram e tendências da moda mundial.
A famosa estátua de Elvis Presley em Memphis, no Tennessee - EUA
Envolvidos neste clima vamos ao que interessa! Provamos as famosas Southern Pork Ribs no Irish Pub e saímos em busca do som que está sendo produzido hoje, aqui e agora pelos artistas e músicos em Memphis. Esses caras têm a grande oportunidade de beber na fonte onde nasceu o blues!
banda de blues em bar da Beale Street, em Memphis, no Tennessee - EUA
Ah, se as paredes falassem. Quantas histórias, quantos encontros, quanta música poderíamos escutar! Fechamos os olhos com uma Guiness na mão e deixamos nos levar em uma viagem musical no túnel do tempo, enquanto o blues rola solto aqui, na Beale Street.
Caminhando na noite agitada da Beale Street, em Memphis, no Tennessee - EUA
Grupo de meninos nos saudam, na Transamazônica - PA
Hoje começamos uma maratona na boléia da Fiona pelos próximos 4 dias. Vamos cruzar do estado do Pará, de Alter do Chão, passando pelo Tocantins até a cidade de Carolina, no Maranhão. O dia já amanheceu ensolarado, com neblina baixa sobre o Rio Tapajós, lindo! Não deu a mínima vontade de ir embora, até nos enrolamos um pouco, tiramos fotos, mas tínhamos que ir.
Visão da nossa varanda pela manhã, ainda com neblina sobre o rio, em Alter do Chão - PA
A viagem começou por uma das mais famosas rodovias brasileiras, a Cuiabá-Santarém. Nós pegamos o trecho de Santarém à Rurópolis, quando ela cruza com outra afamada rodovia: a Transamazônica. Este trecho da BR-163 margeia a FLONA Tapajós, além das árvores imensas, vemos ao longo da estrada as bases de pesquisa e pequenas vilas de populações tradicionais da reserva. 120 km de asfalto e 80 km de terra depois chegamos à Rurópolis e começamos a nossa jornada pela Transamazônica.
Viajar na Transamazônica é viajar na história do Brasil. Em 1970 o então presidente General Garrastazu Médici começou uma campanha para ocupação da Amazônia com um projeto piloto que tinha como slogan “Integrar para não entregar”. Eles temiam a ocupação estrangeira na região e por isso traçaram um plano diretor para a colonização da Amazônia que tinha como espinha dorsal a BR-230, conhecida hoje como Transamazônica.
Dirigindo na Transtapajós, na região de ALter do Chão - PA
Ao longo da rodovia foram construídas agrovilas de 10 em 10km, cada agrovila possuía estradas vicinais com terrenos de 100 hectares. O governo militar visualizou que desta forma poderia matar dois coelhos numa paulada só, traria brasileiros de baixa renda, principalmente do nordeste, para ocupar e desenvolver esta região. “Quero abrir uma estrada que leve os homens sem terra para a terra sem homens”, disse o então presidente. Conversei com o Seu Élcio, dono da pousada em Medicilândia, um dos colonos que chegou aqui em 1972, dentro do programa do governo.
Em Rurópolis, entroncamento da Cuiabá-Santarém e Transamazônica - PA
Tudo o que lemos como história ele viveu e estava aqui, pronto para me contar. “O governo queria ocupar a Amazônia por que senão podia perdê-la para os estrangeiros, o lema era - Integrar para não entregar”, disse ele. Só aí já vi que a conversa seria interessantíssima. Ele conta que quando chegaram aqui os colonos tiveram todo o apoio e suporte do governo. Cada família recebeu 100 hectares de terra, podiam desmatar 50% dela para plantio de culturas de subsistência como arroz, feijão, milho, mandioca, etc. As sementes eram cedidas pelo programa e técnicos do Incra ensinavam aos colonos como plantar, colher e faziam todo o acompanhamento. Eles receberam ajuda alimentação e um salário durante 6 meses, além de toda a infra-estrutura necessária como escolas, postos de saúde, comunicação via rádio e até helicóptero militar à disposição para casos de emergência. Entre as agrovilas também eram construídas Agrópolis, centros administrativos para as agrovilas, com banco, etc, e um nível acima Rurópolis, como esta que visitamos hoje. Sua esposa me contou que chegaram a passar fome no início, tiveram que matar macaco para comer. Era um impasse, ou saiam para caçar ou trabalhavam na lavoura, não tinham tempo suficiente de fazer os dois. A telefonia só chegou entre 1997 e 1998, antes disso fazer uma ligação poderia levar um dia inteiro, viajando até o único posto há quilômetros dali e pegando a imensa fila nas duas únicas cabines que existiam.
Em Rurópolis, entroncamento da Cuiabá-Santarém e Transamazônica - PA
Hoje, com tecnologia, celular, internet e a estrada muito mais trafegável, a vida em Medicinópolis é uma maravilha. Seu Élcio diz que não troca por nada! Só fica indignado de ver o governo hoje cobrar dos agricultores novas regras e tirar direitos adquiridos por eles quando se dispuseram a vir colonizar a região. “Se as regras mudaram, elas tem que ser ensinadas, mandem um técnico, não venham intimidar os agricultores com multas absurdas e garotos armados com metralhadoras!” Realmente se não existe uma perspectiva histórica da situação, fica fácil chegar e multar este povo. Mas olhando como chegaram até aqui e retirar o que lhes foi dado como direito, é no mínimo uma injustiça. Deve haver uma política de transição para as novas leis, implementá-las para os grandes fazendeiros, principais responsáveis pelos desmatamentos desmedidos, e fazer um processo de aculturamento e treinamento dos pequenos agricultores que chegaram aqui há 40 anos.
Trecho da Transamazônica que mostra uma paisagem já sem florestas - PA
Conversamos sobre tudo, a história da irmã Dorothy, o bispo de Altamira, a Usina Hidrelétrica de Belo Monte e inclusive sobre as madeireiras e o desmatamento. Quando se está dentro, a perspectiva muda e muito, as informações que temos na mídia não são as mesmas que o povo aqui conhece. Há milhares de pessoas vivendo ao longo desta rodovia, todos precisam de estrutura e modernização. Imaginem quantas mulheres já não pariram no meio do caminho por causa de um atoleiro?
A estrada que o presidente pretendia fazer – e que de fato fez – teve um custo de cerca de 1 bilhão de dólares, segundo estimativas do ex-ministro da fazenda Antônio Delfim Netto. Nos seus 4.083 quilômetros, ela liga João Pessoa, na Paraíba, a Lábrea, no Amazonas. Foi inaugurada há quase 40 anos anos e jamais ficou completamente pronta, já que seu projeto inicial previa uma saída para o oceano Pacífico, atravessando o Acre.
Em Rurópolis, entroncamento da Cuiabá-Santarém e Transamazônica - PA
Além dos colonizadores trazidos de outras regiões, a FUNAI pensava que conseguiria atrair para viver na região da estrada mais de 10 mil índios. Porém não encontrou nem 3 mil e não conseguiu atraí-los. "Com menos índios e colonos do que imaginava, o governo inaugurou a estrada em 1974, alojando menos de 1% dos 5 milhões de desabrigados nordestinos. E nem esses poucos moradores receberam o prometido: o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) só conseguiu dar terra e infra-estrutura a 900 famílias. No ano da inauguração da estrada, existiam cerca de 5 mil famílias de colonos vivendo precariamente em barracos de palha e pau-a-pique na beira da Transamazônica."*
Até onde pude entender, o plano de Médici não era de todo ruim, mas para variar houveram indícios de desvio de verba, a prioridade mudou e este povo foi abandonado aqui. Sem a continuação das obras de infra-estrutura, manutenção e auxílio, viveram isolados do mundo por quase três décadas, ainda assim, aos poucos crescendo e se desenvolvendo.
“Apesar do abandono e da dificuldade de acesso, algumas cidades às margens da rodovia, como Altamira, se desenvolveram com a chegada da estrada. Praticamente um lugarejo de 5 mil habitantes no início das obras, Altamira pulou para 18 mil habitantes em quatro anos. Pela sua localização, a cidade foi escolhida pelo governo para ser a capital da Transamazônica. Ali foi instalado o mais completo projeto de colonização. Os investimentos públicos – cerca de 50 mil cruzeiros por família de colono nos primeiros cinco anos da estrada, o equivalente hoje a 35 mil reais– superaram todos os outros da região. Ruas foram asfaltadas e ganharam iluminação de mercúrio. Bares, restaurantes e hotéis foram abertos. O número de estabelecimentos comerciais passou em quatro anos de seis para 480, incluindo aí casas de tecidos, empórios, lojas de calçados, bebidas, ferragens e materiais de construção. Os preços dos aluguéis triplicaram, assim como as novas construções. O poder aquisitivo da população de Altamira aumentou dez vezes com a chegada da Transamazônica. Mas, quando as empreiteiras foram embora, o dinheiro deixou de circular e a cidade mergulhou novamente no ostracismo, com dificuldade em retomar sua vocação tradicional em atividades como extração de castanha, borracha e minério”.*
Medicilândia é uma das cidades mais promissoras desta região, próxima a Altamira, possui a melhor qualidade de terra da região. Durante anos viveu do plantio de cana-de-açúcar, produzindo para a usina alcooleira inaugurada pelo governo. Entretanto em 1990 foi desativada pela dificuldade de escoamento da produção e os colonos caíram no esquecimento. Novamente os agricultores tiveram que se reinventar. Hoje a cidade produz a melhor qualidade de cacau do mundo, misturada com o cacau baiano para aumentar a qualidade para venda. A outra cultura que está crescendo muito é o açaí e sabe-se que aqui existem grandes reservas de ferro e feldspato ainda inexploradas.
Trecho da Transamazônica que mostra uma paisagem já sem florestas - PA
A população aqui quer e precisa de progresso, vieram para cá com este objetivo proposto pelo próprio governo. Aí voltamos ao impasse, como desenvolver sem desmatar e destruir? Certamente não será multando pequenos agricultores e não será entregando a Amazônia na mão de fazendeiros que ignoram as novas leis, dizendo desconhecê-las. A mudança só poderá ocorrer com a transmissão de conhecimento e novas leis a esta população. Um estudo aprofundado e elaboração de um projeto específico para reestruturação da área produtiva na Transamazônica, levando em consideração os aspectos históricos envolvidos, com seus custos e compensações.
* Fonte Revista Aventuras na História - Ed. Abril.
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